O homem preso pela Polícia Civil da Paraíba na manhã de quinta-feira (26), em uma mansão em Hortolândia, durante a Operação Argos, é apontado pelas autoridades como um dos maiores fornecedores de cocaína para o Nordeste brasileiro.
Prisão em condomínio de luxo
O investigado conhecido como “Chocô” foi preso enquanto dormia, em uma casa em um condomínio de luxo. Vídeos da operação mostram o momento em que ele é surpreendido e detido ainda no quarto, onde também havia uma mulher e uma criança. Segundo o relato, ele não esboçou reação e perguntou “de onde que é?” o mandado de prisão, recebendo como resposta que era “da Paraíba”.

Na residência, a Polícia Civil apreendeu dinheiro, celulares, notebooks, joias e relógios de luxo avaliados em cerca de R$ 2 milhões, além de um veículo Land Rover. Ao longo da manhã, ao menos sete outros suspeitos de integrar o grupo foram presos em outros estados, incluindo duas mulheres investigadas por atuação em esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico.
Quem é o investigado
Segundo a Polícia Civil da Paraíba, Jamilton Alves Franco, apontado como líder do “núcleo gerencial” da organização voltada ao tráfico interestadual de cocaína, é natural de Cajazeiras, na Paraíba. Ainda conforme a investigação, ele se mudou para o estado de São Paulo há mais de 20 anos e continuava controlando o fornecimento de entorpecentes para Bahia, Paraíba, Ceará, Pernambuco e Alagoas, além de São Paulo.
A corporação afirma que ele tem “extenso histórico criminal no Sudeste do país” e que, durante passagem pelo sistema prisional paulista, teria estabelecido vínculos com facções criminosas, entre elas o PCC (Primeiro Comando da Capital). A investigação também atribui ao grupo uma ascensão financeira marcada por ostentação, viagens e aquisição de patrimônio em nome de terceiros, com uso de parentes e empresas de fachada.

Objetivos e números da operação
A operação mobilizou efetivo superior a 400 policiais civis e foi coordenada pela Polícia Civil da Paraíba. Segundo as autoridades, foram cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de quatro estados, e, em São Paulo, além de Hortolândia, houve diligências na capital e em São Bernardo do Campo.
A ofensiva também determinou bloqueio judicial de R$ 104,8 milhões em ativos financeiros ligados ao grupo, em contas bancárias vinculadas a 199 alvos investigados, além do sequestro de 13 imóveis de alto padrão e 40 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Investigação e apreensões
As investigações começaram em 2023 após apreensões de grandes carregamentos de cocaína em rodovias da Paraíba atribuídas ao grupo, com valor estimado em mais de R$ 100 milhões. O objetivo da ofensiva, segundo a Polícia Civil, é “desarticular uma sofisticada organização criminosa armada dedicada ao tráfico interestadual de entorpecentes e à lavagem de dinheiro em escala industrial”.
Segundo o delegado Diego Beltrão, desde 2023 a organização teria movimentado ao menos R$ 500 milhões, com droga embalada em Guarulhos e escondida em cargas de caminhão com destino ao Nordeste. A investigação segue para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre o fluxo financeiro e a extensão das atividades atribuídas ao grupo.





