quinta-feira, 5 março 2026
INVESTIGAÇÃO

Operação mira golpe de meio milhão com criptomoedas; algumas vítimas são de Piracicaba

Suspeito usava a fachada de professor de teologia para atrair vítimas e tentou justificar calote afirmando ter "perdido a senha" da carteira digital
Por
Cristiani Azanha
Cartões e celulares foram apreendidos. Foto: Reprodução/Deic

A Operação “Mago Simão” foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (5), com cumprimento de mandados de busca e apreensão pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) no Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba. Mais de 40 vítimas de Piracicaba, Indaiatuba e de várias cidades mineiras foram identificadas, e o principal alvo é apontado como o idealizador da fraude, com uma dívida confessada de aproximadamente R$ 510 mil.

Segundo as investigações, o suspeito usava uma imagem de credibilidade para atrair vítimas, apresentando-se como professor de teologia, músico e instrutor de day trade (operações financeiras de curtíssimo prazo). Por meio da empresa NextCapital, divulgada inicialmente como uma “escola de traders”, ele alegava atuar no mercado desde 2016 e captava clientes com foco em alunos e membros de sua comunidade religiosa.

Como funcionaria o esquema
De acordo com a apuração, o suspeito oferecia promessas de rendimentos de até 10% ao mês, descritas pela polícia como irreais. As investigações apontam ainda envio de PDFs com supostos relatórios de variação positiva, como 8,5% de lucro, para dar aparência de legalidade e estimular novos depósitos.

Ainda conforme a polícia, algumas vítimas eram transformadas em “assessores” e recebiam 5% de comissão por cada novo investidor, em um modelo de recrutamento descrito como típico de pirâmide financeira, associado a esquema Ponzi.

Endereços falsos, ostentação e alegação sobre carteira digital
A polícia afirmou que os endereços físicos anunciados na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Indaiatuba eram falsos e que, no endereço divulgado no interior paulista, funcionavam consultórios de psicologia e odontologia. A investigação também aponta que a empresa foi aberta formalmente em junho de 2024 e não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários para operar.

Com a interrupção dos pagamentos e a pressão de 42 clientes lesados, o suspeito alegou ter perdido a senha e as 12 palavras-chave de recuperação da carteira digital em uma plataforma de criptomoedas, o que teria feito com que perdesse o acesso ao capital investido por terceiros.

A investigação também aponta que, enquanto clientes não conseguiam sacar valores, o alvo e a esposa exibiam uma vida de luxo nas redes sociais, com viagens e veículos de alto padrão, como uma Mercedes-Benz C250 e uma moto Triumph Street Triple. Segundo a polícia, os bens não estavam no nome do casal, o que seria uma estratégia para dificultar o rastreamento.

Apreensões e próximos passos
Durante o cumprimento do mandado na residência do suspeito, a Polícia Civil apreendeu sete cartões bancários de diferentes instituições, celulares, máquinas de cartão registradas em nome da empresa, além de documentos e agendas pessoais. O material será enviado para perícia técnica.

A Polícia Civil informou que o objetivo é aprofundar as provas do crime de estelionato e rastrear o destino final do dinheiro das vítimas.

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