
O quarto na casa da jovem Maria Eduarda de Souza Almeida, no bairro Bertoni, em Americana, costumava ser o ponto de encontro de cinco amigas inseparáveis. O fim de semana de Carnaval prometia ser mais um capítulo de alegria, regado a conversas e risadas em barracas montadas no quintal. No entanto, a história das adolescentes de 15 anos, estudantes da Etec Polivalente, foi interrompida de forma trágica.
Maria Eduarda e uma de suas melhores amigas, Lídia Moraes Aguiar, não resistiram a um grave acidente na madrugada da última terça-feira (17). As jovens retornavam de um bloco de Carnaval em Santa Bárbara d’Oeste quando o veículo em que estavam, um Vectra, colidiu violentamente contra um poste na Rua Igaratá.

O carro era conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das outras adolescentes presentes no veículo. Ele, a filha e a companheira saíram ilesos. Uma quarta jovem precisou passar por cirurgia para a retirada do baço e se recupera de uma perfuração no pulmão. Ela já recebeu alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e segue internada no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. Uma quinta adolescente ferida, de 16 anos, foi atendida na UPA São José e liberada no mesmo dia.
A dor e o apelo por justiça
Diante da tragédia, o pai de Maria Eduarda, Manassés Rodrigues de Almeida, decidiu quebrar o silêncio. Em entrevista exclusiva à TV TODODIA, ele falou sobre a dor irreparável da perda e os sonhos da filha que ficaram para trás. A família busca forças para garantir que o caso não seja incluído apenas como mais um nas estatísticas de mortes violentas no trânsito.
“Minha filha sempre foi uma ótima filha e muito estudiosa. Falar nesse momento é muito doloroso para mim, pois não gosto de exposição, mas é necessário falar nesse momento, não somente sobre a minha filha, como também das amigas que eram adoráveis. Elas sempre vinham à minha casa. Nossas portas sempre estavam abertas para elas. Sentir a falta dele agora, dói demais, para todos nós “, disse Manassés.
Como se não bastasse o luto, as famílias ainda precisam lidar com um golpe duro: os julgamentos nas redes sociais. Para Manassés, no entanto, quem convivia com as jovens conhecia a verdadeira essência delas, marcada pela dedicação aos estudos e pela alegria típica da idade.
“Minha filha, assim como as demais, não tinham qualquer envolvimento com drogas. O laudo do exame deve sair logo, mas não preciso do resultado para saber, minha filha nunca usou, assim como as demais”, enfatizou o pai.
Maria Eduarda havia se batizado há poucos meses na igreja que frequentava. Após a sua morte, os pais encontraram uma carta em que a adolescente relatava a felicidade pela nova fase espiritual. Neste momento de profunda dor, a família tem recebido o conforto de mensagens de agradecimento de pessoas que foram ajudadas pela jovem, recebendo apoio emocional em momentos de angústia. A adolescente também integrava um instituto criado na igreja para orientar jovens na entrada para o mercado de trabalho.
Situação do motorista
O condutor do veículo chegou a ser preso em flagrante no dia do acidente após se recusar a realizar o teste do bafômetro, mas foi solto durante a audiência de custódia.
Em depoimento à Polícia Civil, o homem alegou que o carro deslizou ao frear no sinal vermelho. Ele confessou ter ingerido uma pequena quantidade de bebida alcoólica, que descreveu como “suco de uva misturado com cachaça ou vodca”, mas negou o uso de entorpecentes. Apesar da negativa, porções de maconha foram apreendidas por policiais no interior do veículo.
O motorista agora responde em liberdade pelos crimes de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal e porte de entorpecentes. A polícia aguarda o resultado do exame de dosagem alcoólica feito através de coleta de sangue. A defesa do condutor informou que não se manifestará neste momento.





