A Polícia Federal em Campinas apresentou nesta quarta-feira (7) dados que indicam uma redução expressiva nos crimes de roubo de cargas e caminhões em todo o estado de São Paulo. Entre janeiro e novembro, foram registradas 3.192 ocorrências, o menor índice dos últimos 25 anos.
O número representa uma queda de 25,2% em comparação com o mesmo período de 2024, quando o estado contabilizou 4.266 casos. Os dados também mostram uma redução contínua ao longo do ano: foram 350 ocorrências em janeiro, 243 em junho e 238 em novembro, o que corresponde a uma queda acumulada de 31,6% no período analisado.
Atuação especializada em Campinas
A Polícia Federal de Campinas abriga um grupo especializado na repressão a crimes de roubo de cargas e caminhões, responsável pela investigação desse tipo de delito não apenas em São Paulo, mas também em outras áreas da região Sudeste.
Segundo a PF, os resultados obtidos em 2025 estão diretamente relacionados à intensificação das investigações e à deflagração de operações voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas especializadas no roubo e na receptação de cargas, muitas delas com atuação interestadual.

Operações e descapitalização de quadrilhas
Ao longo de 2025, diversas operações tiveram como foco a descapitalização desses grupos criminosos. Entre elas estão as operações Hammare, Baiuca, No Rest e Vareio. Esta última, deflagrada em setembro, resultou na prisão de pelo menos 29 pessoas envolvidas em um esquema de roubo de cargas e caminhões destinados ao desmanche.
À época, o então delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, Edson de Souza, explicou que o crime de roubo de cargas é sustentado pela atuação dos receptadores. “O que retroalimenta o crime de roubo de cargas é, na verdade, o mercado, porque nós encontramos empresas que demandavam determinado tipo de caminhão, empresas transportadoras ou empresas recuperadoras que buscavam determinado tipo de peça ou caminhão. Então, os roubadores vendiam para os receptadores, uma média de caminhões de 700 a 1 milhão e meio eram vendidos por 120 mil reais. Esses receptadores usavam uma rede e desmontavam o caminhão entre chassi, cabine, diferencial, motor, e vendiam isso pelo triplo do preço a outros receptadores”, explicou.
Prioridade mantida na nova gestão
O atual delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, empossado no final de novembro do ano passado, destacou na ocasião que o combate às organizações criminosas especializadas em roubo de cargas segue como uma das prioridades da unidade. “A região, em razão das rodovias, era uma região que sofria muito com roubo de cargas e isso também tem sido de atuação do nosso grupo de investigações. O objetivo é seguir esse trabalho, continuar dando os resultados que conseguimos alcançar e seguir essa repressão constante ao crime que aqui em Campinas deixou de ter vez.”
Resultados dos últimos dois anos
Nos últimos dois anos, as ações da Polícia Federal resultaram na prisão de cerca de 300 pessoas, no cumprimento de aproximadamente 200 mandados de busca e apreensão e na apreensão de mais de 80 armas de fogo.
Também houve o sequestro de bens, veículos e valores que ultrapassam R$ 500 milhões, afetando diretamente a capacidade financeira das organizações criminosas investigadas. A PF destaca que a atuação integrada com forças de segurança estaduais e com o Ministério Público foi determinante para a consolidação desses resultados.
Nova estrutura prevista para 2026
Para 2026, está prevista a instalação, em Campinas, da primeira Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) no interior paulista. A estrutura, vinculada ao Ministério da Justiça, reunirá servidores de diferentes corporações para reforçar o enfrentamento à criminalidade organizada na região.





