terça-feira, 17 março 2026
INVESTIGAÇÃO

Polícia descobre ‘fábrica’ milionária de cocaína em Campinas após suspeito tentar atropelar agentes

Investigação da Dise durou 30 dias e resultou na apreensão de maquinário industrial. Delegado defende 'matar o traficante de fome' focando no prejuízo financeiro
Por
Cristiani Azanha
Droga está avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões. Foto: Reprodução/Dise Campinas

A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) desmantelou, na tarde desta segunda-feira (16), um imóvel que funcionava exclusivamente como uma central para embalar cocaína, na Vila Industrial, em Campinas. A operação gerou um prejuízo estimado em cerca de R$ 2 milhões ao crime organizado e revelou uma estrutura de nível industrial.

Dise: 30 dias de investigação e 14 prisões
Em entrevista à TV TODODIA, o delegado titular da Dise, Sandro Jonasson, revelou os bastidores da ação. A corporação estava há 30 dias tentando localizar a unidade de armazenamento. Durante esse período, a polícia realizou 14 prisões em flagrante, e foram as informações colhidas nessas detenções que levaram os investigadores até o endereço.

Inicialmente, a polícia acreditava se tratar apenas de um depósito, sem saber da existência do maquinário pesado. Após uma campana (vigilância) que durou todo o final de semana, as equipes flagraram a chegada de um suspeito ao local.

Ao perceber a ação policial, o homem tentou atropelar os agentes com seu veículo, mas acabou detido. Ele tem 47 anos. Ao entrarem no imóvel, que não possuía moradores e servia apenas para a operação do tráfico, os policiais encontraram a linha de produção em pleno funcionamento.

máquina tem a capacidade de embalar um flaconete de droga por segundo. Foto: Reprodução/Dise Campinas

Uma porção por segundo
O nível de aparelhamento do local surpreendeu as autoridades. Foi apreendida uma prensa industrial avaliada por especialistas do setor entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, dependendo da sua capacidade. “Essa máquina tem a capacidade de embalar um flaconete de droga por segundo. Então, a gente chega a um número de aproximadamente 750 a 800 mil porções de drogas por mês”, explicou o delegado Jonasson.

Esses entorpecentes, segundo a investigação, seriam distribuídos imediatamente para Campinas e outras cidades da Região Metropolitana. O volume de drogas apreendido foi tão grande que exigiu uma força-tarefa dentro da delegacia. “São cinco policiais que estão contando as drogas há três horas e ainda não chegamos nem na metade”, relatou o delegado durante a entrevista.

“Matar o traficante de fome”
O delegado destacou que o principal objetivo da Dise no momento é sufocar o tráfico de cocaína, atacando o coração financeiro das facções. “Nós estamos focados em combater o tráfico de cocaína porque o que dá prejuízo para o traficante é quando ele perde a cocaína. A maconha tem um valor de revenda baixo, não importa muito para o traficante. A cocaína é alto. Então, eu quero matar o traficante de fome. Quero deixar ele passando fome para, ou ele ser preso, ou se mudar de Campinas”, cravou Jonasson.

Rota internacional e próximos passos
Com a “fábrica” fechada e o operador preso, a Polícia Civil concentra esforços em chegar ao alto escalão do crime organizado que financiava essa estrutura.

A polícia já possui informações indicando que parte da cocaína apreendida tem origem internacional, visto que o Brasil não é produtor primário da substância. “A partir da certeza de que essa cocaína vem de fora do Brasil, nós temos um alvo específico para buscar. É atrás disso que nós vamos agora”, concluiu o delegado.

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