terça-feira, 17 março 2026
ESTÁ PRESO

Preso, companheiro confessa feminicídio de Julyene dos Santos, em Hortolândia

José Felipe Pereira de Sousa, de 26 anos, foi preso pela GCM de Vinhedo e transferido para cadeia de Sumaré; crime ocorreu na frente da filha de 4 anos da vítima no Jardim Nova Europa
Por
Vagner Salustiano
José Felipe foi abordado por órgãos de imprensa ao deixar a DDM de Hortolândia para a prisão. Fotos: Rádio Digital Pop

O autônomo José Felipe Pereira de Sousa, de 26 anos, confessou o feminicídio da companheira Julyene Lima dos Santos, também de 26 anos, na frente da filha dela, de 4 anos. O crime aconteceu no sábado (14), na casa da vítima, no Jardim Nova Europa, em Hortolândia.

O suspeito alegou crise de ciúmes como motivo para as facadas. Ele fugiu da cidade, capotou o veículo na Via Anhanguera, em Vinhedo, e se escondeu na mata por dois dias, mas foi preso pela GCM (Guarda Civil Municipal) vinhedense na manhã de segunda-feira (16).

Ao ser transferido para a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Hortolândia, confessou o crime ao delegado José Regino Melo Lages. Com prisão preventiva já decretada, ele segue detido na Cadeia Pública de Sumaré.

Suspeito fala sobre o crime
Ao deixar a delegacia algemado para transferência, José Felipe falou com jornalistas e admitiu o feminicídio. “Estou totalmente arrependido. (Fiz isso) por causa da traição. Ela falou para mim: ‘toda vez que você estava olhando para outra mulher, eu ia lá e ficava com outro cara’. Eu perdi a cabeça, eu não estava pensando no momento, não estava pensando em nada. Estava só bravo só com ela. Porque ela estava me batendo”, afirmou.

Ele detalhou a discussão, dizendo que olhou para mulheres na rua, o que gerou ciúme de Julyene. “Ela (falou): ‘toda vez que você olha pra outra mulher eu ia lá e ficava com outro’. Ai eu falei: ‘você tem certeza disso? Eu tô fazendo de tudo por você, pra você fazer isso comigo? Mobiliei é a casa dela inteira, tava tudo arrumando, casei com ela, pedi ela em casamento, para ela falar que tava ficando com outro cara? Na minha cara ainda?”, declarou.

Por fim, repetiu o arrependimento. “Me arrependo. Eu amava muito ela. Eu amo muito ela. Me arrependo demais”.

Delegado questiona arrependimento
O delegado José Regino Melo Lages não considerou o arrependimento genuíno. “Eu acredito que ele não está arrependido. Ele foi bem claro no depoimento dele, diz que ficou ‘cego’ no momento da discussão com a sua companheira, a Julyene, e acabou ceifando a vida dela. Alegou que ela teve uma ‘crise de ciúme’, querendo imputar a culpa do crime na própria vítima. A todo tempo ele quis dizer que foi provocado por ela, que ela que o deixou nesse estado de ódio, então a gente acredita que ele não está arrependido e que ele ceifou a vida da vítima por um motivo banal”, afirmou.

José Regino confirmou que a filha de Julyene presenciou o ataque e pediu socorro aos vizinhos. “No momento do fato, havia uma criança, a filha da Julyene, uma criança de 4 anos, que presenciou e foi quem pediu socorro aos vizinhos. Ele confessa que ela (a criança) estava (na casa), mas ele fala que não sabe se ela viu ele deferindo as facadas na vítima, mas que ela estava na residência sim”.

Vítima tinha histórico de violência
Segundo o delegado, Julyene não tinha registros de violência doméstica contra José Felipe nos três meses de relacionamento, mas já havia sido vítima de outros dois ex-companheiros, com boletins de ocorrência por lesão corporal e medidas protetivas.

“A Julyene, com relação ao José Felipe, não tinha qualquer registro criminal de violência doméstica – apesar do depoimento das testemunhas, dos vizinhos, eles afirmarem que já haviam presenciado outras discussões, brigas. Mas não havia nenhum registro policial de crime do José Felipe contra a Julyene. Contudo, a vítima, ela já tinha sido vítima de outros dois ex-companheiros, havia dois registros de boletim de ocorrência onde ela foi vítima de lesão corporal, de violência doméstica por seus ex-companheiros”, completou.

Julyene foi atingida por diversas facadas, em frente à própria filha, de 4 anos. Fotos: Reprodução/Redes Sociais/Polícia Civil

Relembre o caso
Julyene foi morta com várias facadas na Rua Guarujá, no Jardim Nova Europa. Guardas municipais a encontraram ferida, e o Samu confirmou a morte a caminho do Hospital Municipal Governador Mario Covas.

O suspeito capotou um Ford Fiesta na Via Anhanguera, em Vinhedo, fugiu pela mata e foi preso no bairro Capela. Ele tem condenação anterior por roubo em 2021. A faca foi apreendida e está em perícia.

Onde buscar ajuda
Em situações de risco ou violência contra mulheres, meninas ou crianças, acione a Polícia Militar pelo 190 ou a Central de Atendimento à Mulher pelo 180. Os serviços funcionam 24 horas.

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