quinta-feira, 22 janeiro 2026
FEMINICÍDIO EM SUMARÉ

Sem vínculos em Sumaré, Yasmim não chegou a pedir ajuda; câmeras do próprio assassino confesso gravaram o crime

Crime ocorreu no Jardim Nova Esperança I, na Área Cura; segundo a polícia, autor foi localizado em Hortolândia após identificação do carro por videomonitoramento
Por
Vagner Salustiano
Câmeras (esquerda) gravaram as cenas do feminicídio e serão periciadas; casa tinha muito sangue (direita). Foto: Polícia Civil de SP

Sozinha, com medo, longe da família e sem vínculos em Sumaré. O primeiro boletim de ocorrência registrado com o nome de Yasmim Evely da Silva, de 25 anos, foi o do seu próprio feminicídio.

O crime aconteceu na manhã de quinta-feira (22), em uma casa no Jardim Nova Esperança I, na Área Cura, em Sumaré. Segundo a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Sumaré, a vítima foi morta pelo companheiro, Diego Molino da Silva, de 32 anos, que confessou o ato e está preso.

Além das agressões relatadas nas primeiras informações, foi confirmado à tarde que Yasmim também teria sido esfaqueada pelo autor confesso. Havia manchas de sangue por todo o interior da residência do casal e sinais de luta corporal intensa.

As informações são da delegada titular da DDM de Sumaré, Nathália Alves Cabral, em entrevista por telefone à TV TODODIA. Segundo ela, já foi solicitada a prisão preventiva do suspeito, no primeiro caso de feminicídio registrado na cidade em 2026.

Diego foi localizado e detido pela Polícia Militar em um supermercado de Hortolândia, horas após o crime, comprando cerveja. A localização, segundo a delegada, foi possível graças aos sistemas de videomonitoramento inteligente das duas cidades, que identificaram, pelas placas, o veículo Fiat Palio branco que ele dirigia. Ao ser localizado, ele estava alterado, ensanguentado e com cortes nas mãos, e foi algemado.

Relacionamento tinha cerca de 10 meses, diz delegada
O casal se conheceu em Porto de Galinhas, em Pernambuco, e estava junto havia 10 meses. Segundo informações coletadas junto a vizinhos, a relação seria abusiva. “Eles já tinham um histórico completamente abusivo, né? Ela veio do Pernambuco para cá, ele conheceu ela lá, e vieram há cerca de 10 meses (de acordo com ele mesmo) com ele mesmo para cá”, contou Nathália.

Câmeras instaladas em casa gravaram o crime
Segundo a delegada, Diego instalou câmeras de segurança na casa onde o casal morava, e os equipamentos teriam gravado o crime. O cartão de memória com as imagens foi recuperado no bolso do suspeito e será analisado pela Polícia Científica. De acordo com a delegada, as imagens são “extremamente gráficas” e não serão divulgadas neste momento.

“A casa era pequena, humilde, mas tinha câmeras para monitorar ela, os movimentos dela. Porque ele é aquele cara que acho que está sendo traído o tempo inteiro – inclusive ele alegou isso no interrogatório dele. Ela não saía de casa. Isso foram as testemunhas, os vizinhos, que contaram que ela não saía de casa. Ela parecia até meio deprimida”, acrescentou a delegada.

Segundo a DDM, vizinhos acionaram a Polícia Militar no início da manhã. “E de acordo com o ocorrido, das testemunhas que relataram, eles ouviram barulho de briga durante a madrugada, daí viram ele saindo com o carro dele. E como os vizinhos ouviram gritos de briga, de violência, eles acionaram a PM, e a PM acabou entrando na residência e encontrou ela toda esfaqueada e já sem vida”, contou a delegada.

Além das agressões, Yasmim também foi esfaqueada por Diego, segundo a Polícia Civil. Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Delegada cita “histórico de violência” do suspeito
Segundo Nathália, Diego já possuía passagens criminais e um “histórico de violência”. “Sim, ele tem um histórico criminal, ele já chegou a ser preso por roubo. Inclusive lá na delegacia acabei descobrindo que ele tentou roubar um policial militar. Então ele já tem um histórico de violência, por mais que ficasse insistindo que era trabalhador. E de fato, ele tinha conseguido um emprego formal recentemente, mas ele tem um histórico de violência”, afirmou.

A delegada disse ainda que a vítima não tinha vínculos na cidade para buscar ajuda. “E com relação à moça, era essa relação doentia, tóxica. A moça não era daqui, não tinha vínculos aqui em Sumaré. Então foi muito fácil para ele tomar conta da situação”, acrescentou.

Ainda segundo ela, a vítima não havia registrado boletim de ocorrência anterior. “Ela não tinha feito nenhum BO de violência doméstica. Então nunca chegou nenhuma denúncia para nós de que ela estava em uma situação de violência. E infelizmente, o primeiro BO dela foi o último também, que foi o feminicídio”, completou.

Prisão preventiva e perícia nos vídeos
A delegada confirmou ter solicitado a prisão preventiva do suspeito e a perícia detalhada das imagens das câmeras.

“Sim, eu pedi a prisão preventiva dele, e com certeza ele vai ficar na preventiva, até porque ele confessou. Nós temos imagens, mas as imagens não foi ele que fez: foram imagens captadas pelas câmeras que ele instalou na residência, que nós acionamos a perícia e conseguimos extrair as imagens – que claramente mostram ele matando ela sem nenhum tipo de alegação de legítima defesa da parte dele. Foi algo cruel e covarde mesmo.”

Diego permanece preso na Cadeia Pública de Sumaré. O caso segue em investigação pela DDM da cidade.

Onde buscar ajuda
Em qualquer situação de risco ou violência contra mulheres e meninas, qualquer pessoa pode acionar a Polícia Militar pelo 190 ou a Central de Atendimento à Mulher pelo 180. Ambos os serviços atendem 24 horas por dia.

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