Após ser preso em flagrante pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o responsável pelo abatedouro clandestino de aves descoberto na quarta-feira (21) no Jardim Novo Ângulo também deve ser multado pela Vigilância Sanitária da Prefeitura de Hortolândia. O órgão havia sido acionado para vistoriar o local pela própria Polícia Civil, no dia da operação.
Na chácara, situada na Estrada Municipal Antônio Nazareno Gomes, foram localizados 20 freezers, contendo aves abatidas e resfriadas sem qualquer inspeção sanitária, prontas para comercialização, e pequena quantidade de carne suína congelada.

O peso total do produto, informado na quinta-feira pela DIG, ficou abaixo da estimativa inicial dos investigadores, mas ainda é expressivo: cerca de 2.000 quilos de carne. Todo o material foi considerado impróprio para consumo e será destinado a descarte adequado, conforme normas sanitárias.
Fiscais confirmam abatedouro clandestino
Acompanhados por equipes da DIG de Americana e da Secretaria de Agricultura do Estado, fiscais sanitários de Hortolândia constataram que o local funcionava como abatedouro clandestino.
Os fiscais lacraram e autuaram os responsáveis pelo estabelecimento. O valor da multa ainda não foi determinado porque os agentes da Vigilância Sanitária Municipal aguardam a tramitação dos autos e a apresentação de defesa no processo administrativo.

Dois suspeitos permaneceram presos
Na quinta-feira, dia seguinte ao flagrante, a DIG de Americana confirmou em nota que, após depoimentos colhidos até a noite do dia anterior, dois dos quatro suspeitos detidos no local permaneceram presos.
Entre eles estão o proprietário da chácara, de 67 anos, e o motorista do Ford Del Rey que vendia as aves resfriadas de porta em porta, um homem de 42 anos. Os demais foram liberados pelo delegado.
Os dois passaram por audiência de custódia no dia seguinte, no Fórum de Hortolândia, e permaneceram presos preventivamente. O advogado da dupla, Lucas Buscarati, informou que a defesa deve apresentar recurso à Justiça para que eles possam responder ao processo em liberdade.
DIG aponta risco sanitário e ambiental
Segundo a DIG, a operação de quarta-feira “foi desencadeada após investigações e trabalho de campo indicarem que o local era utilizado para o abate irregular de animais, sobretudo aves, além de servir como depósito de carnes impróprias para consumo, em condições totalmente insalubres e inadequadas”.
Nos fundos da chácara, os investigadores constataram a existência de um local improvisado para o abate das aves, “com grande quantidade de sangue, vísceras e resíduos descartados a céu aberto, atraindo animais necrófagos (especialmente urubus) e representando risco sanitário e ambiental”.

CPFL confirmou furto de energia, diz polícia
Conforme mostrado pela reportagem de quarta-feira da TV TODODIA, também foi flagrada uma ligação clandestina na rede da CPFL, caracterizando furto de energia para o funcionamento do abatedouro clandestino, especialmente da grande quantidade de freezers.
A ação teve apoio de técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo e da Polícia Militar Ambiental.
Com isso, os dois homens devem ser indiciados por crime contra as relações de consumo, crime ambiental, pelo descarte irregular de resíduos na área verde atrás da chácara, e furto de energia elétrica mediante fraude.





