Terça, 26 Outubro 2021

Polícia prende fiscal do Carrefour de Porto Alegre

Polícia prende fiscal do Carrefour de Porto Alegre

A Polícia Civil prendeu mais uma pessoa ligada à morte de João Alberto Freitas, 40, espancado até a morte no Carrefour, em Porto Alegre. A prisão prev

A Polícia Civil prendeu mais uma pessoa ligada à morte de João Alberto Freitas, 40, espancado até a morte no Carrefour, em Porto Alegre. A prisão preventiva da fiscal Adriana Alves Dutra ocorreu na tarde desta terça-feira (24). É ela quem aparece na filmagem vestindo uma blusa branca ao lado dos agressores. 

"Foi verificada a participação decisiva dela porque depois se verificou que ela tinha posição de comando. A lei contempla como coautora a pessoa que tem poder de evitar e não o fez", disse a delegada Vanessa Pitrez, do Departamento de Homicídios. 

Esta é a terceira prisão do caso. Os dois seguranças terceirizados do Carrefour, da empresa Grupo Vector, foram presos em flagrante após a morte. A Justiça converteu a prisão de ambos em prisão preventiva. 

Os dois investigados, que vem sendo identificados como seguranças, cumpriam a função de fiscais no supermercado. 

A fiscal é investigada por homicídio doloso triplamente qualificado. 

Inicialmente, Adriana não foi localizada em sua residência. Ela foi informada por telefone, por meio de sua defesa, do mandado de prisão expedido e se apresentou à polícia. 

Adriana prestou depoimento e relatou episódios anteriores de conflito com Beto Freitas no Carrefour. A polícia investiga se de fato há incidentes anteriores. 

Os policiais também apuram se a funcionária mentiu no depoimento dado no mesmo dia da morte. O depoimento foi tomado como parte do auto de prisão em flagrante dos seguranças. 

Ela disse que um cliente tentou apaziguar a agressão. O suposto cliente, porém, era o funcionário terceirizado Giovane Gaspar da Silva, policial temporário que estava em seu primeiro dia de "bico" no mercado. 

A fiscal pode responder, entre outros crimes, por falso testemunho, se ficar comprovado ao final do inquérito que ela mentiu. 

A delegada Roberta Bertoldo disse que investiga a possibilidade de falso testemunho, além de omissão de socorro e racismo. 

Adriana Alves Dutra disse também que Beto teria empurrado uma cliente dentro da loja, o que não ficou comprovado até o momento com as imagens das câmeras internas do mercado. 

Em novo depoimento, na tarde em que se entregou à polícia, Adriana disse que falou que o funcionário era cliente do local pois havia retornado há pouco de férias e não sabia que ele trabalhava no supermercado. 

Um motoboy que filmou as agressões disse que a fiscal do Carrefour feriu a própria mão, afirmando que Beto havia cortado seu dedo. "Ela pegou a unha dela e começou a forçar no dedo. Não tinha machucado, eu olhei bem. Me chamou atenção ela tentar machucar a própria mão", disse. 

A reportagem obteve depoimento de outra funcionária que também apresenta indícios de contradições. No depoimento, a mulher afirma que Beto a teria "encarado". Depois, que ele a teria intimidado com "olhar agressivo" e, por fim, que teria dito algo que ela não entendeu porque ele usava máscara no momento. 

A funcionária disse que, então, se afastou e ele teria feito um sinal que ela não soube interpretar. Em imagens obtidas pela reportagem, ele parece estar sinalizando com o polegar para baixo. Perguntada pela polícia se o gesto foi ofensivo, ela disse que não. Entretanto, quando questionada sobre por que Beto foi acompanhado pelos seguranças até a saída, diz supor que foi porque ele a teria importunado. 

Os seguranças optaram por não dar depoimento à polícia após serem presos em flagrante, recorrendo ao direito constitucional de permanecerem em silêncio. A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos. 

 

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