A atuação da Ambiental, empresa responsável pela coleta de lixo e pelos serviços de limpeza urbana em Piracicaba, foi alvo de críticas durante a sessão da Câmara Municipal realizada na segunda-feira (9). Vereadores de diferentes partidos usaram a tribuna para relatar reclamações de moradores sobre atrasos no serviço de catacacareco, falhas na coleta e dificuldades para conseguir atendimento da empresa.
Críticas à empresa
Entre os principais problemas apontados estão a demora no recolhimento de materiais, itens deixados nas calçadas mesmo após a passagem das equipes e situações em que o lixo não é retirado, apesar de haver agendamento prévio. Parlamentares também questionaram o valor do contrato e a eficácia da fiscalização feita pelo poder público.

Renan Paes (PL)
Um dos primeiros a se manifestar foi o vereador Renan Paes (PL), que criticou a demora no recolhimento de materiais e os transtornos enfrentados pelos moradores. “Você liga para combinar de pegar o catacacareco, mas eles não passam. Suas coisas ficam na rua, você tem que guardar tudo de novo e remarcar o serviço. E se deixar na rua, corre o risco de ser multado”, afirmou.
O parlamentar ainda fez críticas diretas à empresa. “Tem uma empresa contratada para não deixar a cidade um lixo, e essa empresa é a Ambiental. E ela não está fazendo o serviço dela”, declarou.
Felipe Polezi (PL)
O vereador Felipe Polezi (PL) relatou reclamações de moradores do CECAP Eldorado. Segundo ele, parte dos materiais colocados para recolhimento acaba ficando para trás. “A população faz aquele mutirão, coloca tudo na calçada, mas passam lá e recolhem só a parte boa. Colchão, cama e guarda-roupa ficam para trás”, criticou.
Para Polezi, os problemas são evidentes. “A gente só não enxerga quem não quer. A Ambiental já passou da hora”, disse.
Gesiel de Madureira (Republicanos)
Já o vereador Gesiel de Madureira (Republicanos) citou um episódio em que, segundo ele, uma equipe deixou de recolher o lixo mesmo após ser informada do local exato. “O pessoal mostrou onde estava o lixo, voltou para dentro de casa achando que a empresa ia retirar. Eles montaram no caminhão e foram embora”, contou.
Ele também questionou o valor do contrato. “A gente quer saber qual é a explicação para um serviço tão mal feito. O contrato recebe mais de 10 milhões de reais por mês e a população continua reclamando”, afirmou.
Gustavo Pompeo (Avante)
O vereador Gustavo Pompeo (Avante) direcionou as críticas ao modelo de parceria público-privada firmado para a prestação dos serviços. “Existe um inquérito que há anos vem se arrastando em Piracicaba e a prestação de serviço só piora”, disse.
Segundo ele, o ponto central é a fiscalização contratual. “Até onde a gente sabe, já existem muitos indícios para quebrar o contrato. São 30 anos de parceria e o serviço não atende a população como deveria”, afirmou.
Pedro Kawai (PSDB)
O vereador Pedro Kawai (PSDB) ressaltou que as reclamações não são recentes e citou problemas na coleta seletiva. “Já tem pelo menos quatro ou cinco anos que eu venho reclamando da Ambiental, principalmente da coleta de recicláveis”, disse.
Ele também criticou o modo como o material reciclável é recolhido. “O material reciclável hoje é compactado dentro de um caminhão igual ao do lixo orgânico. Está tudo errado”, declarou.
Zezinho Pereira (União Brasil)
Durante a discussão, o vereador Zezinho Pereira (União Brasil) defendeu uma apuração mais aprofundada sobre a atuação da empresa. “Eu sempre contestei o trabalho deles. A gente podia estar pensando futuramente em construir uma CPI para investigar isso”, afirmou.
Paraná (PSD)
As críticas também foram reforçadas pelo vereador Valdir Vieira Marques, o Paraná (PSD). Segundo ele, moradores relatam atrasos frequentes no catacacareco. “Eles pedem para colocar tudo na rua que vão coletar. Aí passa 15 dias e não vão. Depois ainda perguntam se a pessoa tem protocolo”, disse.
O vereador ainda questionou as condições de trabalho das equipes. “Está precária a situação do catacacareco”, concluiu.
CPI e fiscalização do contrato
As manifestações reuniram vereadores de diferentes legendas. Além das críticas à prestação dos serviços, os parlamentares cobraram maior rigor na fiscalização do contrato firmado entre a Prefeitura e a Ambiental. Entre as propostas levantadas está a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação da concessionária e a execução da parceria público-privada.
Posicionamento
A reportagem da TV TODODIA procurou a Prefeitura de Piracicaba para comentar as críticas feitas pelos vereadores e questionar eventuais medidas em relação ao contrato. Até o fechamento deste texto, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.





