O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, afirmou nesta quarta-feira (29) que a República “não combina com heróis”, em uma crítica a integrantes da Operação Lava Jato.
O relato foi feito por senadores que participaram de reunião com Aras. “Ele [Aras] disse que uma República não combina com heróis”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos participantes do encontro.
“Ele disse que sofre uma oposição sistemática dentro do MP [Ministério Público], mas ele acredita que não pode haver dois MPs, um MP com a web oficial e outro com um grupo privatizado”, afirmou o congressista.
O encontro virtual foi realizado a pedido do grupo “Muda Senado”. Aras foi contatado pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES). Ao todo, oito congressistas participaram da conversa.
Segundo o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o procurador-geral reforçou ainda mais as críticas já feitas anteriormente aos integrantes da Lava Jato.
“Ele repete as mesmas ilações [contra a Lava Jato], ao mesmo tempo em que defende o trabalho e o legado da Lava Jato, mas ele diz que tem um banco de dados muito grande que não é conhecido”, disse Vieira.
MP gosta de controlar, mas não quer ser fiscalizado, diz Maia
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se somou às críticas feitas à operação Lava Jato pelo Procurador-Geral da República, Augusto Aras, e afirmou ontem ter a impressão de que o MP (Ministério Público) gosta de controlar, mas não quer ser fiscalizado.
Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, Maia concordou com o PGR e afirmou que houve excessos no MP.
“A crítica que eu faço é exatamente que me dá a impressão muitas vezes que o Ministério Público é um órgão fundamental para o nosso país, para a nossa democracia, para o nosso futuro, para o nosso desenvolvimento… claro, o trabalho que eles fazem é fundamental. Mas a impressão que me dá é que não gostam de ser fiscalizados, muitas vezes”, disse.
Maia criticou o fato de o procurador-geral, que é responsável por todos os Ministérios Públicos, não ter acesso a informações dentro da estrutura do órgão. Também disse que, ao contrário do que ocorre no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há poucas punições e afastamentos no Ministério Público.
O CNJ, por exemplo, já autuou ao menos 13.638 processos disciplinares, mas em apenas 104 casos, o equivalente a 0,78%, houve punição a magistrado.