sábado, 4 abril 2026
TENSÃO POLÍTICA

Aviões abatidos, petróleo em alta e negociações travadas: entenda o conflito entre EUA e Irã

O conflito já dura mais de um mês e segue em escalada, com aviões abatidos, um piloto desaparecido e impasse nas negociações
Por
Nathalia Tetzner
Os dois países estão, atualmente, em uma corrida contra o tempo pela procura de um piloto estadunidense. Foto: Redes sociais

Em 28 de fevereiro de 2026, Israel e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto coordenado contra vários locais no Irã, desencadeando um grande conflito. A operação norte-americana recebeu o codinome “Operação Fúria Épica” e teve como alvo importantes autoridades iranianas, comandantes militares e instalações, com o objetivo declarado de promover uma mudança de regime. 

Piloto desaparecido
Na sexta-feira (3), dois aviões de caça dos Estados Unidos foram abatidos pelo Irã. Um deles foi um F-15, tripulado por dois oficiais que sobrevolavam o sul do país iraniano. Até o momento, somente um dos pilotos foi resgatado pelas forças norte-americanas. 

O governo iraniano acredita que o segundo piloto esteja escondido na região e ofereceu cerca de US$ 60 mil (pouco mais de R$ 309 mil) pela entrega do homem vivo ao Exército ou à polícia local, com anúncio feito pela TV estatal iraniana. 

Mais tarde no mesmo dia, o Irã anunciou ter abatido também um A-10 Thunderbolt II que sobrevolava o Estreito de Ormuz. A queda foi confirmada por fontes militares ao New York Times e o piloto dessa aeronave foi resgatado logo após o incidente. 

Trump afirmou, em entrevista à CBS, que os episódios envolvendo as aeronaves norte-americanas não interferem nas conversas diplomáticas em curso entre os dois países.

Força bélica iraniana
O Irã teria dispersado seus equipamentos balísticos por todo o território de 1,6 milhão de km², e a estratégia de desgastar a defesa aérea israelense e atacar bases norte-americanas na região estaria dando resultados positivos para Teerã. 

Impacto econômico global
O Irã vem atacando refinarias, navios petroleiros e instalações de energia em países vizinhos desde o início do conflito. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, fez os preços internacionais do petróleo dispararem. 

Negociações travadas
Os EUA apresentaram ao Irã um plano de cessar-fogo de 15 pontos, com proposta para reabrir o estreito e restringir o programa nuclear iraniano, mas Teerã rejeitou a lista. O Irã considera a proposta “unilateral e injusta” e defende cinco exigências que considera não negociáveis, entre elas a manutenção de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz e reparações pela guerra. 

Uma reunião dos ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito ocorreu em Islamabad para discutir formas de interromper o conflito, que já matou milhares de pessoas e causou a maior interrupção no fornecimento global de energia de todos os tempos. 

O que vem pela frente
Especialistas avaliam que os EUA não têm como derrubar o governo iraniano sem uma invasão terrestre, o que implicaria em baixas enormes. A resistência do Irã está pressionando Washington a encerrar o conflito sem alcançar o objetivo original de mudança de regime em Teerã. 

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