sábado, 5 abril 2025

Bolsa tem alta de 32% com brasileiro

A Bolsa de Valores termina 2019 com alta de mais de 30% em um ano que os números confirmam que a valorização só foi possível graças à chegada do pequeno investidor ao mercado de ações. Esse é o melhor desempenho desde 2016 e pode ser explicado pela frustração dos brasileiros com o rendimento da renda fixa. À medida em que o juro caía, mais gente migrava recursos para ações. 

O Ibovespa, o principal índice acionário do país, saiu dos 87 mil pontos do final de 2018 para 115.645 pontos desta segunda-feira (30), o último pregão de 2019. A alta de 31,6% ocorreu sem a participação de investidores estrangeiros, que deixaram o país ao longo de todo o ano. O dólar fechou este ano a R$ 4,01, com alta de 3,5%, contrariando a expectativa de que poderia cair com a onda de otimismo doméstico. 

A valorização da Bolsa ficou aquém de algumas das expectativas do mercado, que chegaram a apontar que o índice poderia ir além de 120 mil pontos. Ficou em linha com a valorização das Bolsas americanas, que subiram entre 23% (Dow Jones) e 35% (caso da Bolsa de tecnologia Nasdaq) e também renovaram recordes ao longo do ano na esteira da queda de juros. 

“A alta do Ibovespa este ano ficou abaixo das expectativas iniciais, mas 30% é um patamar bom”, diz Luis Sales, analista da Guide Investimentos. 

Ao longo deste ano, a taxa Selic caiu de 6,50% ao ano para 4,50%, aproximando o país do juro real zero visto em países desenvolvidos à medida que a economia brasileira mostrava dificuldade de se recuperar da recessão. A inflação do ano deve terminar ao redor de 4%, enquanto as apostas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) estão na casa de 1,17%. 

“O investidor doméstico teve que diversificar portfólio, enquanto o estrangeiro saiu de países emergentes com o receio de desaceleração econômica global”, diz Michael Viriato, professor de finanças do Insper. 

Nem sempre foi assim. Historicamente os investidores estrangeiros são responsáveis por manter o volume de negócios na Bolsa, que registrou média diária de R$ 17 bilhões, um salto na comparação com anos anteriores. Desse montante, 45,2% foram negociados por estrangeiros. 

Aos poucos, porém, o pequeno poupador começou a elevar a sua participação. Dobrou o número dos brasileiros que investem em ações, de 813 mil para 1,6 milhão (dado de novembro, o mais recente divulgado pela B3). Já a fatia nos negócios subiu para 18,1%, enquanto os investidores institucionais (empresas e fundos de investimento) corresponderam a 31,5%. 

Se a marca positiva do ano é a disposição do pequeno investidor a ações, a negativa é o fluxo de saída de estrangeiros. A frustração é especialmente significativa porque havia uma aposta no aumento de aplicações com a mudança de governo e o compromisso com reformas. Prevaleceu, porém, a espera pela retomada do crescimento econômico. 

Estrangeiros retiraram da Bolsa R$ 43 bilhões, montante próximo ao recorde registrado em 2008. Naquele ano, foram sacados R$ 24,6 bilhões que, corrigidos pela inflação, equivalem a R$ 44,6 bilhões. 

Quando contabilizado os 5 IPOs do ano (oferta pública inicial de ações, feitas por BMG, Centauro, C&A, Neoenergia e Vivara) e 31 follow-ons (oferta adicional de ações) deste ano, a saída de estrangeiros cai para R$ 7 bilhões. A Bolsa não faz a comparação com o ano de 2008 por essa metodologia. 

“Quem movimenta o mercado de capitais brasileiro é o investidor doméstico. O brasileiro foi 80% de compra dessas ofertas de ações [IPOs e follow-ons], que devem movimentar R$ 120 bilhões em 2020”, acrescenta Alexandre Pierantoni, diretor da Duff&Phelps no Brasil.

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