O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, aceitou convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ser ministro da Saúde.
A indicação de Queiroga foi confirmada pelo próprio Bolsonaro, em conversa com apoiadores nesta segunda-feira na chegada ao Palácio da Alvorada. “[Ele] tem tudo, no meu entender, para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o (Eduardo) Pazuello fez até hoje”, declarou Bolsonaro, em fala a um site bolsonarista.
Queiroga será o quarto a ocupar o cargo em 12 meses de pandemia. Antes de Pazuello, chefiaram a pasta os médicos Luiz Henrique Mandetta e, por 28 dias, Nelson Teich.
“No tocante às vacinas, um programa bastante ousado, mais de 400 milhões de doses contratadas até o final do ano. Este mês vamos receber mais de 4 milhões de vacinas, e essa política de vacinação em massa continuará cada vez mais presente em nosso governo”, disse.
Bolsonaro disse ainda que Queiroga, além da vacinação, vai promover outros programas para diminuir o número de mortes por Covid-19 no Brasil. Ele elogiou ainda a administração do ministro, general Eduardo Pazuello.
“[O] trabalho do Pazuello está muito bem feito, parte de gestão foi muito bem feita. E agora vamos partir para uma parte mais agressiva no tocante ao combate ao vírus”, afirmou Bolsonaro.
Ele também disse que a oficialização da indicação de Queiroga deve ser publicada nesta terça (16) e que o período de transição na Saúde deve durar “uma ou duas semanas”.
Queiroga se reuniu com Bolsonaro nesta segunda (15) no Palácio do Planalto, após a recusa da cardiologista Ludhmila Hajjar em assumir o ministério. Na véspera, à Folha de S.Paulo, Queiroga dissera que o presidente conhece seu trabalho, mas que esperaria o posto vagar oficialmente: “Um médico não assume o plantão de outro”.
PAZUELLO
Mais cedo, o atual ministro, general Eduardo Pazuello, admitiu ontem que o presidente estava avaliando sua substituição.
“O cargo é do presidente da República, existe essa possibilidade desde que eu entrei. Eu poderia ficar a curto, médio e longo prazo. Estamos a médio prazo. O presidente está pensando em substituição, avaliando nome, conversei com ele e Ludhmila [Hajjar, que foi cotada para o cargo] e claro que estou a disposição de ajudar a todos que vierem aqui”, afirmou.
“É continuidade, não há rompimento. Os senhores não estão acostumados com isso, estão acostumados com o político largar a caneta e ir embora. Nós faremos a transição de forma correta e de continuidade quando nos for determinado”, completou.
A declaração ocorre um dia após Pazuello emitir uma nota, por meio de sua assessoria, em que negava que Bolsonaro tivesse pedido seu cargo.
Pazuello negou, porém, interesse em deixar o posto. “Não vou pedir para ir embora, não é da minha característica”, disse. “Isso não é um jogo, não é uma brincadeira, é uma pandemia, é salvar vidas. Não pode ser levado da forma como está sendo colocado. Se haverá substituição ou não, cabe ao presidente da República, não a mim”, completou.




