O financiamento imobiliário com recursos da poupança -o chamado SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)- atingiu R$ 25,29 bilhões nos seis primeiros meses do ano, alta de 23% ante igual período de 2017, informou a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). É a primeira vez em quatro anos que a modalidade registra crescimento em um primeiro semestre em relação ao ano anterior.
“Tradicionalmente, o primeiro semestre é de saldo negativo para a poupança. Neste ano, tivemos captação líquida de R$ 2,5 bilhões, o que sinaliza uma reversão de tendência, com mais dinheiro entrando, e gera uma expectativa positiva”, diz Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip.
Só para a aquisição de imóvel pela pessoa física foram R$ 20,2 bilhões financiados, sendo R$ 11,3 bilhões para imóveis novos. “Quem puxa a cadeia é o consumidor. Essa parte de novos é consumo de estoque, o que pode originar demanda futura por mais construção”, afirma Abreu Filho. A aquisição para construção, no entanto, cresceu menos, 14,5%, somando apenas R$ 5,1 bilhões. “Os empresários ainda estão comedidos, começando a acelerar o negócio em ritmo diferente do consumidor.”
O crédito imobiliário com recursos do FGTS, fonte para financiamento dentro do programa Minha Casa Minha Vida, por outro lado, recuou 6,8%, na primeira queda semestral desde 2014. “O FGTS é diferente do SBPE, em que há competição entre os bancos. O FGTS segue a lógica de cumprir o orçamento definido pelo Conselho Curador”, afirma Abreu Filho. O orçamento previsto para o ano é de R$ 69 bilhões, o que significaria uma alta de 19% em 2018.
A Abecip elevou suas projeções de crescimento do crédito com recursos da poupança de 10% para 16% em 2018. “Hoje, nós vemos os bancos com apetite para emprestar. O que está difícil é encontrar projetos de incorporadoras para esse dinheiro e consumidor com apetite consistente para comprar”, diz Abreu Filho.
Ele observa que, apesar do otimismo dos bancos, o viés de alta nas taxas de juros futuras pode ser uma barreira. “Esse movimento depende muito do cenário eleitoral e da perspectiva da economia. Parece que os bancos viram a curva subir, mas estão apostando em uma queda. Se o patamar se mantiver alto, no entanto, em algum momento veremos uma reversão, com aumento de preços e queda na concessão.”