
Piracicaba avançou na estruturação do Distrito de Inovação com uma reunião entre representantes da Prefeitura, do Governo do Estado, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizada nesta quarta-feira (9). O encontro tratou dos próximos passos para o reconhecimento do projeto na política estadual de distritos de inovação.
Participaram da reunião o prefeito Helinho Zanatta; a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Thaís Fornicola; a superintendente de Desenvolvimento Econômico, Luciane Leães; o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan; além de representantes da USP, da Unicamp e do Distrito de Inovação de São Paulo.
Instituições-âncora
A participação direta da USP e da Unicamp fortalece a articulação entre o município e o Estado. Com a adesão das duas universidades, Piracicaba passa a contar com quatro instituições-âncora no projeto, enquanto a política estadual exige a presença mínima de duas.
A política foi instituída pelo Decreto nº 70.683, de 16 de junho de 2026. Para o reconhecimento de um distrito, é necessário definir uma área, contar com organizações-âncora, elaborar um plano de implantação e prestar contas anualmente. O processo é conduzido pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, que também poderá conceder o Selo Paulista para Distritos de Inovação.
Para o prefeito Helinho Zanatta, o projeto pretende aproximar a produção de conhecimento das necessidades econômicas da cidade. Segundo ele, Piracicaba já reúne universidades, pesquisa e indústria, mas precisa integrar essas estruturas para transformar conhecimento em oportunidades.
Governança e legislação
Entre as próximas etapas estão a criação da governança do Distrito de Inovação e a elaboração do plano de implantação. As duas medidas são previstas na regulamentação estadual e deverão orientar a atuação conjunta das instituições envolvidas.
Paralelamente, a Prefeitura prepara o Sistema Municipal de Desenvolvimento Sustentável, o Simdes. O projeto de lei deve reunir e atualizar incentivos atualmente previstos em normas municipais de 1995 e 2008, além de estabelecer uma base legal para o Distrito de Inovação. A expectativa é que a proposta seja protocolada na Câmara Municipal em outubro.
O secretário estadual Vahan Agopyan afirmou que Piracicaba está entre as regiões paulistas com forte concentração de pesquisa científica e tecnológica. Segundo ele, a presença da Esalq/USP e da Unicamp, somada à atuação do município, pode acelerar a transformação da cidade em um polo de inovação e conhecimento.
Polo reúne 130 organizações
A proposta também se apoia no trabalho desenvolvido pelo ecossistema local de inovação desde 2025. O Piracicaba Innovation (PIN) reúne atualmente mais de 130 organizações apoiadoras, entre universidades, empresas, entidades de classe, startups e órgãos do poder público.
Em julho, as organizações participantes aprovaram seis vocações econômicas para orientar a estratégia de desenvolvimento da cidade: bioeconomia, saúde única, tecnologia da informação, indústria avançada, economia criativa e turismo regenerativo.
A proposta diferencia o papel da rede e do território. Enquanto o PIN funciona como uma articulação entre organizações, o Distrito de Inovação será o espaço físico e institucional para a atuação integrada de universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.
A reunião também marcou uma aproximação entre USP e Unicamp, que passaram a discutir com o Estado e a Prefeitura a implantação do distrito. A Esalq, unidade da USP em Piracicaba, foi fundada em 1901, enquanto a Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Unicamp, iniciou suas atividades em 1955.
Segundo a secretária Thaís Fornicola, a Prefeitura adotou uma estratégia de articulação com o ecossistema local. A intenção é construir as prioridades de forma coletiva, com a participação das instituições e organizações envolvidas, para formar a base do Distrito de Inovação que Piracicaba pretende consolidar.





