
Após mais de 50 anos sem enviar missões tripuladas às proximidades da Lua, desde o encerramento do programa Apollo em 1972, a humanidade retoma sua jornada rumo ao satélite natural. Este esforço começou com a Artemis I, um voo não tripulado bem-sucedido em 2022 que testou o foguete SLS (Space Launch System) e a cápsula Orion, e culminará na Artemis III, prevista para os próximos anos, que levará a primeira mulher e a primeira pessoa negra para um pouso histórico na superfície lunar.
Lançamento do Artemis II
A Nasa lançou, às 18h35 (horário de Brasília) de quarta-feira (2), o foguete SLS a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A missão Artemis II transporta quatro astronautas a bordo da cápsula Orion para o primeiro teste tripulado ao redor da Lua em mais de cinco décadas.
A tripulação é composta pelos norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. O cronograma prevê uma missão de 10 dias com o objetivo de validar os sistemas de suporte à vida e a navegabilidade da espaçonave para futuras operações na superfície lunar e missões subsequentes a Marte.
Operações em órbita
Após a separação do foguete, a Orion acionou seus painéis solares e iniciou a transição para as operações de voo. Segundo o administrador da agência, Jared Isaacman, o voo representa uma etapa de testes técnicos antes do estabelecimento de uma base fixa na Lua.
Cerca de 49 minutos após a decolagem, o estágio superior do SLS inseriu a cápsula em uma órbita elíptica. Uma segunda queima enviará a nave, denominada Integrity, a uma órbita terrestre alta, atingindo 74 mil quilômetros de distância do planeta.
Neste estágio, a Orion liberará quatro microssatélites (CubeSats) desenvolvidos por agências espaciais da Argentina, Alemanha, Coreia do Sul e Arábia Saudita para coletas científicas independentes.
Trajetória e retorno
Na quinta-feira (2), está prevista a manobra de injeção translunar. O módulo de serviço da Orion executará uma queima de seis minutos para direcionar a nave à Lua. A trajetória utilizará a gravidade lunar para impulsionar o retorno automático da cápsula à Terra.
Os principais marcos científicos ocorrerão na segunda-feira (6), durante o sobrevoo pelo lado oculto da Lua. Os astronautas realizarão registros fotográficos e observações visuais do relevo lunar sob condições de iluminação que favorecem o mapeamento de crateras e elevações.
Também serão conduzidos experimentos sobre saúde humana no espaço. A missão será concluída com a reentrada na atmosfera terrestre e o pouso da cápsula no Oceano Pacífico. O programa Artemis planeja missões de complexidade progressiva para consolidar a exploração científica e econômica do solo lunar.





