quarta-feira, 4 março 2026

Joe Biden mantém prazo e acelera retirada de Cabul

Mesmo pressionado por aliados, presidente confirma saída no dia 31 

Fora | Pesou na decisão de Biden a ameaça do Talibã (Foto: Divulgação)

Pressionado por aliados a estender o prazo da evacuação de ocidentais e aliados de Cabul, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, decidiu manter o limite da presença de forças americanas no Afeganistão em 31 de agosto. A decisão foi vazada pela Casa Branca à agência de notícias Reuters enquanto o americano se preparava para discutir a situação numa reunião virtual do G7 nesta terça-feira (24), clube das economias mais desenvolvidas do mundo. O grupo aquiesceu e tentou mudar o foco dizendo que está pronto para negociar com os talibãs, a depender de algumas condições.

Pesou na conta a renovação das ameaças do Talibã, que retomou o poder na esteira da decisão de Biden de cumprir o acordo de paz com o grupo e retirar suas tropas do Afeganistão após 20 anos. Em uma entrevista coletiva, o porta-voz Zabihullah Mujahid disse que o grupo não toparia a extensão. Nem ele nem os EUA comentaram, mas agências de notícia relataram um encontro na segunda (23) entre o diretor da CIA, William Burns, com o principal líder talibã em Cabul, Abdul Ghani Baradar.

Mujahid reafirmou o tom ameaçador do grupo na véspera e acrescentou que os EUA deveriam parar de ajudar “afegãos com qualificações” a deixar o país. Mais, afirmou que o grupo iria impedir que civis chegassem ao aeroporto e que fechou o acesso à Airport Road, via que separa o local do centro de Cabul, 5 km ao sul. O diálogo travado com os americanos, esperado após duas décadas de guerra, parece insolúvel. Mujahid ainda voltou a prometer que as pessoas aglomeradas perto do aeroporto de Cabul não sofreriam represálias na volta para casa. “Nós garantimos sua segurança.”

Os talibãs tomaram a capital no domingo retrasado (15), após conquistarem praticamente todo o país em duas semanas. A saída havia sido ordenada pelo presidente Biden em abril, encerrando os 20 anos da mais longa guerra americana, iniciada para punir o Talibã, que governava o Afeganistão desde 1996 e dava guarida aos terroristas da Al Qaeda que perpetraram os ataques do 11 de Setembro.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, havia convocado a reunião porque queria mais tempo para a retirada. Tinha apoio da Alemanha. Mas já na manhã desta terça seu secretário de Defesa, Ben Wallace, havia jogado a toalha e dito que a mudança era improvável.

Após a reunião, Boris ainda tentou dourar a pílula. Disse que o G7 definiu um mapa para conversar com o Talibã, mas que uma das exigências será a liberdade para quem quiser deixar o país após 31 de agosto – como as pessoas mais pobres o fariam, sem apoio militar, ele não respondeu. 

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