sábado, 4 abril 2026
PERDA

Morre aos 94 anos, a economista e professora Maria da Conceição Tavares

Maria da Conceição foi deputada federal entre os anos de 1995 e 1999 e professora de economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Por
Felipe Gomes
Foto: Fernando Frazão|Agência Brasil

A renomada economista Maria da Conceição Tavares faleceu aos 94 anos neste sábado (8), em Nova Friburgo, onde residia com sua família. Ela deixa dois filhos, Laura e Bruno, dois netos, Ivan e Leon, e o bisneto Théo.

Conhecida por sua defesa de uma sociedade mais justa e solidária, Tavares deixou sua marca ao formar diversas gerações de economistas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade de Campinas (Unicamp), tendo entre seus pupilos a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-senador José Serra, entre outros.

Nascida em 1930 em Anadia, Portugal, ela migrou para o Brasil em 1954, durante a ditadura salazarista, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Naturalizou-se brasileira em 1957 e desenvolveu uma destacada carreira como economista, influenciada por pensadores como Celso Furtado, Caio Prado Jr. e Ignácio Rangel.

Participou da elaboração do plano de metas do governo Juscelino Kubitschek e se destacou em estudos sobre substituição das importações, além de ter atuado na Comissão Econômica para América Latina (Cepal).

Autora de centenas de artigos e dezenas de livros, incluindo obras clássicas como “Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil – Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro”, publicada em 1972, Tavares recebeu o Prêmio Jabuti 1998 na categoria economia.

Nos últimos anos, tornou-se popular entre os jovens nas redes sociais, compartilhando vídeos de entrevistas e aulas com discursos enérgicos sobre o processo de industrialização nacional. Crítica da política econômica do regime militar no Brasil, chegou a ser presa por 48 horas em 1974.

Sua influência foi marcante na elaboração do Plano Cruzado durante o governo de José Sarney. Tavares também teve papel importante como conselheira econômica do PMDB antes da redemocratização e posteriormente filiou-se ao PT, sendo eleita deputada federal (1995-1999).

Neste ano, recebeu homenagens do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde trabalhou. O presidente do banco público, Aloizio Mercadante, destacou sua importância para a luta pela democracia e para a discussão de um projeto nacional de desenvolvimento.

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