Segunda, 15 Agosto 2022

'Mulher da mansão abandonada' de Higienópolis foi investigada pelo FBI

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'Mulher da mansão abandonada' de Higienópolis foi investigada pelo FBI

Ela e o marido mantiveram nos Estados Unidos a empregada doméstica em condições análogas a escravidão por duas décadas 

(Foto: Reprodução)

A mulher que vive na mansão abandonada em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, foi foragida do FBI, departamento de polícia dos Estados Unidos. Margarida Bonetti e o marido foram acusados de manter a empregada doméstica sem salário, sendo agredida e impedida de deixar a casa por 20 anos enquanto o casal morava no exterior.

A mansão foi tema de podcast do jornal Folha de S.Paulo, que relatou que a mulher morava na casa com aspecto de abandonada. Ela aparecia de vez em quando nas janelas, sempre com pomada branca no rosto. Aos vizinhos, se apresentava como Mari.

Em entrevista ao Cidade Alerta, o chefe da segurança do bairro, Edvaldo Palma Santos, informou que a mulher o tratava bem: "Se ela precisava de alguma coisa, eu estava aqui. Ela aparecia na janelinha e falava: 'Capitão', eu perguntava se tava tudo certo".

Era vista poucas vezes. Mas, na pandemia, sempre que aparecia, estava com o rosto pintado de branco e usava roupas simples. Ela costumava ficar na varanda e também varria a calçada.

"Você a via numa semana três vezes e ficava dois meses sem ver", disse um morador.

Investigação
No fim dos anos 1970, o marido, que é engenheiro, foi transferido a trabalho para os Estados Unidos. O casal se mudou para o exterior na companhia da empregada doméstica. Por duas décadas, ela viveu em péssimas condições, sem acesso à geladeira da família e ainda era agredida. O caso foi denunciado por vizinhos.

O marido, Renê Bonetti, ficou preso por sete anos pelo crime, se naturalizou americano e ainda vive no país. Já Margarida conseguiu voltar para o Brasil após a morte do pai e nunca mais retornou aos Estados Unidos para ser julgada.

Veio morar na casa herdada da família, com 20 cômodos, e dois cachorros. Imagens da casa mostram uma montanha de livros e objetos empilhados, misturados a joias e artigos valiosos. A família é descendente de barões e pertenceu à elite paulistana.

O crime poderia ter prescrito em 2012, mas a Corte Interamericana de Direitos Humanos ainda analisa se a escravidão contemporânea é um crime cuja pena pode ser aplicada enquanto o criminoso estiver vivo.

A Polícia Civil de São Paulo pediu autorização à Justiça para ter acesso ao local já que o caso voltou à tona.

Mansão
O imóvel, localizado na rua Piauí, começou a atrair a atenção de quem passa na região, e é comum ver pessoas fazendo "selfies" com o casarão ao fundo, como em pontos turísticos.

Apesar de degradada e sombria, a mansão reúne objetos de valor a lixo. O porão tem tapumes e as janelas sempre estão fechadas. O casarão está em meio a prédios e não teria esgoto.

O Instituto Luisa Mell resgatou no domingo (3) dois cachorros que foram deixados para trás na casa. Margarida teria se mudado para um local desconhecido.

Via R7

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