Quarta, 25 Mai 2022

Polícia prende dono de fazenda de Brotas com búfalos abandonados

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Polícia prende dono de fazenda de Brotas com búfalos abandonados

Pecuarista Luiz Augusto Pinheiro de Souza é acusado de maus-tratos contra mil búfalos e 72 cavalos e éguas

Os búfalos abandonados na fazenda ficaram um mês sem comida e 20 dias sem água, uma situação de privação que levou muitos deles à morte (Foto: Reprodução/ Instagram)

A Polícia Civil prendeu na tarde desta quinta-feira (27), em São Vicente, no litoral de São Paulo, o pecuarista Luiz Augusto Pinheiro de Souza, dono da Fazenda São Luiz da Água Sumida, em Brotas, no interior de São Paulo. Ele é acusado por maus-tratos contra cerca de mil búfalos e 72 cavalos e éguas.

Souza também foi denunciado pelo Ministério Público estadual por ameaça, falsificação de documentos e falsidade ideológica.

Os búfalos abandonados na fazenda ficaram um mês sem comida e 20 dias sem água, uma situação de privação que levou muitos deles à morte. Algumas fêmeas que estavam prenhas perderam a vida durante o parto, assim como seus filhotes.

A ordem de prisão havia sido expedida em dezembro, a pedido do Ministério Público de São Paulo. Outro acusado, o segurança Rinaldo Ferrarezi, está preso desde o mês passado.

Segundo inquérito policial, o proprietário da fazenda, de cerca de 1.000 hectares, abandonou os animais sem comida e sem água por um longo período, em uma condição que provocou a morte de mais de uma centena deles e danos permanentes à saúde de outros.

Um laudo do inquérito policial diz que os animais foram mortos de maneira cruel pela privação de água e alimento, além da exposição a calor excessivo.

Diz ainda que a investigação revelou que Souza enterrou em valas búfalos ainda vivos que apresentavam condição precária de saúde.

A suspeita é que os maus-tratos podem ter começado em agosto e tenham durado até o dia 21 de novembro do ano passado.

"Demonstrou-se, outrossim, que diversos búfalos com a saúde precária tiveram morte extremamente sofrida, na medida em que, fragilizados pela falta de alimentos e água, agonizaram até o fim da vida e foram atacados por urubus que comeram seus os olhos ainda vivos", descreveu o Ministério Público na denúncia sobre o caso.

No dia 21 de janeiro, a 1ª Vara da Justiça de Brotas determinou que os animais vítimas de maus-tratos sejam doados a órgãos e entidades habilitados a cuidar deles. Eles estão sob os cuidados da ONG-ARA (Amor e Respeito Animal), que comemorou a prisão do pecuarista.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o pecuarista perdeu o interesse na pecuária leiteira bubalina no início de 2021, o que foi constatado pela falta de conservação das estruturas necessárias ao desenvolvimento da atividade. O mangueiro, onde os animais eram ordenhados, por exemplo, estava praticamente destruído, diz a denúncia.

Após o arrendamento de uma área correspondente a 401,19 hectares –cerca de 40% da área total– para produção de soja, os animais teriam sido confiados em áreas pequenas e afastadas das estradas que cortam a propriedade.

De acordo com a denúncia, os animais foram colocados em terra sem pasto, sem água e alimentos, "com o objetivo de liberar espaço para o plantio da soja e se livrar dos custos de manutenção", diz o Ministério Público.

A defesa de Souza afirmou, quando foi feita a denúncia pela Promotoria, que o pedido de prisão "não guarda elementos jurídicos para sua decretação", mas que a defesa se manifestará quando citada nos autos do processo. A defesa do segurança alegou que a prisão não é necessária. 

 

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