quinta-feira, 19 março 2026

Protestos no Rio e em São Paulo contra morte de Moïse pedem justiça

Atos em memória a congolês espancado até a morte na Barra da Tijuca (RJ) reuniram entidades e familiares 

Ato | Manifestantes pedem justiça pela morte de Moïse em frente a quiosque no Rio (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil)

Centenas de manifestantes fizeram um protesto neste sábado (5), em frente ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, onde o congolês Moïse Kabagambe foi espancado até a morte. As cenas brutais chocaram o país. O ato reuniu familiares de Moïse e dezenas de entidades defensoras da causa negra e dos direitos humanos, além de organizações políticas diversas.

A mãe de Moïse, a congolesa Ivana Lay, discursou rapidamente, em cima do carro de som, e pediu justiça: “Queremos justiça para o Moïse, até o final”.

Para o babalorixá Ivanir dos Santos, representante da Articulação das Populações Marginalizadas, a violência contra os negros é centenária no Brasil: “A nossa luta não começou agora. Esse é mais um passo na busca pelos nossos direitos.” No início da manifestação, um pequeno grupo tentou depredar o quiosque, mas foi prontamente reprimido com palavras pelos organizadores do protesto.

A Prefeitura do Rio anunciou que os dois quiosques que foram “palco” para o assassinato de Moïse, na noite de 24 de janeiro, serão transformados em memorial ao jovem congolês, com a possibilidade de ser administrado pela sua família. Após a concentração do ato, em frente ao quiosque, os manifestantes seguiram em passeata, pela Avenida Lúcio Costa, na orla da praia.

SÃO PAULO
Também ocorreram protestos em São Paulo. Imigrantes, ativistas e uma parcela da população de São Paulo foram até a Avenida Paulista, na manhã deste sábado protestar pela morte de Moïse. O ato começou por volta das 10h, de forma tímida e pacífica, com dezenas de pessoas. Os manifestantes ocupavam apenas o vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo). Aos poucos, o movimento ganhou adeptos e a via, no sentido Centro, precisou ser bloqueada.

A paulistana Maísa Magacho soube do protesto, pela internet, e sozinha fez o seu cartaz e foi até o MASP. “Precisamos desestruturar o racismo, estamos já em 2022 e até quando? Esse tipo de situação é inaceitável e queremos igualdade, igualdade”, diz a ourives.
A Polícia Militar, presente no local, afirmou que não fará estimativa do público presente.

Além de se solidarizarem pela morte de Moïse e pedir rigor na apuração do crime, os imigrantes africanos clamaram por igualdade, respeito e à atenção das autoridades brasileiras. Alguns movimentos e partidários da esquerda aproveitaram a presença do público para fazer panfletagem. 

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