Nomeado para chefiar Petrobras descarta privatização da estatal

Na linha contrária de Bolsonaro, Castello Branco diz que tema “não está em questão”

Nomeado ontem pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para presidir a Petrobras, o economista Roberto Castello Branco disse que a privatização da companhia “não está em questão” e que pretende reforçar o foco nos investimentos para a exploração e produção de petróleo do pré-sal.

À reportagem, Castello Branco defendeu ainda a manutenção da política de preços internacionais dos combustíveis e a redução da presença da estatal no setor de refino, mas disse que não prevê “nenhuma guinada espetacular” com relação à gestão atual.
“A privatização da companhia não está em questão. Não tenho mandato para pensar nisso”, disse Castello Branco, que já manifestou publicamente defesa de privatização de estatais, incluindo a própria Petrobras.

Ele não descartou, porém, a saída de áreas hoje consideradas estratégicas, como a distribuição de combustíveis.
Em entrevista ontem, Bolsonaro repetiu que a Petrobras pode ser privatizada “em partes”, mas disse não ser inflexível a opiniões de sua área econômica. Castello Branco foi indicado pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e deve se encontrar com o presidente eleito hoje, em Brasília.

O futuro presidente da Petrobras disse que o foco atual, de concentrar esforços na produção do pré-sal, “não só será mantido mas reforçado”. “Precisamos aproveitar essa riqueza enquanto há tempo. Em algumas décadas, o petróleo perderá a relevância que tem hoje”, argumentou. A área de exploração e produção, diz, é “o coração da empresa”.

Castello Branco não quis adiantar medidas, alegando que “ainda não passou na porta da Petrobras”, mas sinalizou que os planos de vender refinarias serão mantidos. Ele argumenta que a competição no refino é positiva para o consumidor, inclusive quando se trata de preços dos combustíveis.

“O que está sendo feito [a política de preços alinhados às cotações internacionais] é a coisa certa. Inclusive, os preços no Brasil estão dentro da média mundial”, disse. “O que está errado é uma única empresa controlar 98% da capacidade de refino do país”.

“O fato de ter um único agente no mercado permite que algumas pessoas exerçam o monopólio”, argumentou, citando os períodos de preços defasados nos governos petistas, que geraram prejuízos à estatal e ao setor de etanol. “É melhor que o preço [dos combustíveis] seja determinado por condições de mercado.”

A Petrobras abriu processo de venda de fatias de 60% em dois polos de refino no país, cada um com duas refinarias, dutos e terminais. As negociações, porém, foram suspensas após liminar do STF (Supremo Tribunal Federal).

Castello Branco disse acreditar que a questão será resolvida na Justiça, liberando a estatal para vender as refinarias. Ele não adiantou, porém, se o modelo de venda atual será mantido no governo Bolsonaro.

Sobre uma possível privatização da BR Distribuidora, disse que ainda não há decisão, mas alegou que há casos de empresas petroleiras internacionais que não possuem distribuidoras de combustíveis.

MERCADO SE ANIMA COM INDICAÇÃO 

A confirmação do economista Roberto Castello Branco como novo presidente da Petrobras no governo eleito de Jair Bolsonaro (PSL) foi bem recebida pelo mercado ontem.

Defensor da privatização de estatais, executivo já fez parte do conselho de administração da empresa em 2015. Com pós-doutorado pela Universidade de Chicago, ele já foi diretor do Banco Central e da Vale e, hoje, é professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“É muito respeitado pelo mercado. Conhecido por ser extremamente competente, muito trabalhador, exigente, ético, sério, humilde no trato das pessoas e admirado por essas qualidades. O nome cai bastante bem para os investidores”, avalia Pablo Spyer, da corretora Mirae.

A definição do nome chegou a gerar disputa entre autoridades do futuro governo. Enquanto Guedes defendia a indicação de Castello Branco, o vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão (PRTB), demonstrava preferência por um nome da área militar no comando da estatal.

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