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Rock incentiva ‘indústria do aborto’, diz novo presidente da Funarte

Os vídeos ainda estão no ar, apesar de ele ter apagado seus perfis em redes sociais

O maestro Dante Mantovani, recém-anunciado como o novo presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes), é autor de livros sobre música clássica, tem programa de rádio, dá curso na internet e é também youtuber. No canal que leva seu nome e tem pouco mais de 6.000 inscritos, ele compartilha reflexões e teorias da conspiração sobre política e arte. Os vídeos ainda estão no ar, apesar de ele ter apagado seus perfis em redes sociais.

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Entre outros assuntos, ele afirma que o fascismo é de esquerda, diz que fake news é um conceito globalista para impor a vontade da imprensa, chama a Unesco de “máquina de propaganda em favor da pedofilia”. Membro da Cúpula Conservadora das Américas e aluno de Olavo de Carvalho, ele tem um vídeo inteiro dedicado a explicar um comentário recente do ideólogo, de que o filósofo alemão Theodor W. Adorno, da Escola de Frankfurt, teria escrito músicas dos Beatles.

“Não é que o Adorno tenha falado assim para os Beatles, ‘faça isso, faça aquilo, faça a liberação das drogas’. O teórico desenvolve a teoria e o agente vai lá e age”, diz. “Na esfera da música popular, vieram os Beatles, para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista.”

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No mesmo vídeo, o maestro traça relações entre os serviços de inteligência e a indústria fonográfica americana, dizendo que agentes soviéticos infiltrados inseriam “certo elementos” em músicas para fazer “experimentações” e “engenharia social” com crianças e adolescentes. O resultado -o rock de Elvis Presley e dos Beatles- seria parte de um plano para vencer os Estados Unidos e o capitalismo burguês a partir da destruição da moral da juventude.

“O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que fez um pacto com o satanás.”

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Uma de suas principais ideias é a defesa da degradação da arte. “Até século 19, a arte era muito para a sociedade, as pessoas eram educadas para gostar de coisas belas, apreciar a beleza”, diz, em vídeo de 2016. “No século 20, a arte passou a ter uma outra função e deixou de ser veículo fundamentalmente da beleza.” Em seu site oficial, Mantovani também compartilha aforismos, com resumos de seus pensamentos. Em um deles, diz que na música experimental contemporânea “é praticamente obrigatório imitar peidos, seja mediante emprego de instrumentos musicais ou do famigerado aparato eletroacústico”.

Mantovani é autor de dois livros, “Ensaios Sobre a Música Universal (do Canto Gregoriano a Beethoven)” e “O Canto do Violino e Outros Ensaios”, ambos sobre música clássica. Ele também se apresenta como jornalista, mas chama de “sub-intelectuais” quem é formado na área. “Atuo como jornalista há 15 anos, sei escrever, sou autor de livros e não tenho diploma. Sou um jornalista muito melhor do que qualquer um que tenha essa merda de diploma.”

Maestro e doutor em música pela Universidade Estadual de Londrina, Dante Henrique Mantovani foi nomeado presidente da Funarte nesta segunda (2). Em seu site, ele afirma ter participado de grupos como o Coro Sacro da Paróquia Nossa Senhora da Paz, além de corais religiosos da Igreja Católica.

Além disso, Mantovani apresentou o programa “A Grande Música”, na rádio Mão de Deus, de Caxias do Sul (RS), e dá palestras em instituições como a Academia Militar das Agulhas Negras. No Facebook, o maestro postou um vídeo em que rege um coral, junto com o texto: “canto gregoriano em latim para crianças, é nisso que acredito”. Ele substitui Miguel Proença, exonerado em novembro.

O governo Bolsonaro nomeou nesta segunda (2) novos presidentes para a Funarte (Fundação Nacional de Artes) e a Biblioteca Nacional, seguindo uma reforma volumosa no quadro da Secretaria Especial da Cultura e órgãos subordinados à subpasta do Ministério do Turismo, hoje sob comando do dramaturgo e diretor Roberto Alvim.

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