
As agências bancárias da região de cobertura da TV TODODIA aderiram à paralisação nacional de 24 horas realizada nesta quinta-feira (20). O movimento ocorre após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) durante as negociações da Campanha Nacional 2026. Durante a paralisação, o atendimento presencial está suspenso, enquanto os caixas eletrônicos permanecem disponíveis.
Entre as principais reivindicações estão aumento real dos salários, melhorias na PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e nos vales, preservação dos empregos e melhores condições de trabalho.
Paralisação foi aprovada pelos trabalhadores
A adesão à paralisação foi aprovada por 90% dos trabalhadores presentes na assembleia realizada na segunda-feira (17), segundo o Sindicato dos Bancários de Campinas e Região. Na mesma reunião, 98% dos participantes votaram contra a proposta da Fenaban, que estabelecia reajustes diferentes conforme a faixa salarial e previa o congelamento do piso para novos funcionários.
Segundo o sindicato, durante a reunião de negociação realizada na terça-feira (18), a Fenaban retirou a proposta apresentada anteriormente, mas não colocou uma nova proposta econômica na mesa. As negociações entre os representantes dos trabalhadores e dos bancos serão retomadas na segunda-feira (24).
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Lourival Rodrigues, a categoria considera que a proposta apresentada não atende às demandas dos trabalhadores. “Já estamos na oitava rodada de negociação. Até agora, não vieram propostas. A proposta que eles fizeram foi escalonar o aumento, criando três faixas salariais, mas também não disseram qual seria o índice nem quais seriam essas faixas. Também não havia aumento no piso, e para nós é importante aumentar o piso da categoria. Nós convocamos uma assembleia e a proposta foi rejeitada porque entendemos que todos os bancários contribuem para que o banco tenha os resultados que tem.”
Fechamento de agências aumenta sobrecarga, diz sindicato
Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Bancários de Campinas e Região aponta que Campinas perdeu 96 agências bancárias entre 2019 e 2025, passando de 224 para 128 unidades, uma redução de aproximadamente 42,9%.
Outros municípios da região também registraram queda no número de agências. Em Americana, o total passou de 35 para 23 unidades, redução de 34,3%. Em Hortolândia, caiu de 15 para oito, uma queda de 46,7%. Já Sumaré passou de 22 para 15 agências, redução de 31,8%.
Para Lourival Rodrigues, o fechamento das unidades aumenta a sobrecarga sobre os funcionários que permanecem nas agências. “Não somos contra o avanço tecnológico e sabemos que, agora, com a inteligência artificial, isso vai avançar ainda mais. Mas entendemos que a tecnologia precisa ajudar e facilitar o trabalho, não prejudicar ou piorar as condições de trabalho. Ela é muito bem-vinda quando permite que a gente trabalhe com mais qualidade.”
Lucros são questionados pelo sindicato
Os bancários também questionam a diferença entre a lucratividade do setor financeiro e as condições enfrentadas pelos trabalhadores. De acordo com dados da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT), baseados em levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os bancos registraram mais de R$ 124 bilhões em lucros em 2025.
Entre 2015 e 2025, cerca de 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências foram fechados. No mesmo período, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% o número de contratos com correspondentes bancários, segundo os dados apresentados pela entidade sindical.
Para o sindicato, a redução do número de funcionários e o fechamento de agências aumentam a carga de trabalho e também afetam o atendimento aos clientes, com possíveis reflexos em filas, demora e dificuldades para solucionar problemas.
Saúde mental também está entre as reivindicações
A categoria também chama atenção para os impactos das condições de trabalho na saúde mental. Dados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, que ouviu mais de 54 mil trabalhadores, indicam que 72,6% avaliam que o ambiente profissional afeta negativamente a saúde mental.
A pressão por metas, a sobrecarga e a redução das equipes estão entre os fatores apontados pelos trabalhadores. Conforme levantamento da Contraf-CUT, a participação das doenças mentais e comportamentais nos afastamentos previdenciários dos bancários passou de 23,6% em 2012 para 51,8% em 2024.
Negociações serão retomadas na segunda-feira
As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban serão retomadas na segunda-feira (24). A data-base da categoria é 1º de setembro, e a campanha prevê a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para o período de 2026 a 2028.
O sindicato afirma que a paralisação busca pressionar os bancos por avanços nas negociações e também está relacionada às condições de atendimento oferecidas aos clientes.
Segundo Lourival Rodrigues, caso não haja acordo até a data-base, a categoria poderá convocar uma nova assembleia para discutir a possibilidade de greve. “Se não resolver até primeiro de setembro, nós não teremos alternativa. Estaremos convocando novamente a base, os bancários, para deflagrar o movimento de greve.”
Posicionamento da Fenaban
Em nota à TV TODODIA, a Fenaban afirmou que recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano e que as negociações seguem o cronograma estabelecido. “A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que representa há 34 anos os bancos nas negociações trabalhistas, recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.”





