Aguapés tomam Rio Piracicaba

Macrófitas idênticas às que infestam a Represa Salto Grande são vistas no manancial na cidade vizinha

O Rio Piracicaba, que nasce em Americana pela junção dos Rios Jaguari e Atibaia, amanheceu ontem repleto de aguapés ao longo de sua extensão em Piracicaba. De acordo com o DAE (Departamento de Água e Esgoto) e a Secretaria de Meio Ambiente de Americana, a quantidade de macrófitas (nome dos aguapés) no rio pode ter sido potencializada pela chuva que atingiu a cidade ontem. Além disso, a comporta da Represa Salto Grande, que está tomada pelos aguapés, está aberta desde junho para manutenção da vazão do Rio Atibaia, segundo a CPFL Renováveis.

 

O diretor do DAE, Carlos Zappia, informou que existe um ponto próximo à estação de tratamento em Americana onde as macrófitas “enroscam” e acumulam, o que atrapalha o processo de captação de água da cidade. Anteontem, a autarquia estava realizando a limpeza do local.

 

“Isso (aguapés) já vem descendo (jusante). Com a chuva, a gente aproveitou para fazer essa eliminação, e isso vai ficando ao longo do Rio Piracicaba. Aproveitamos quando chove, porque aumenta o fluxo do rio”, explicou Zappia.

 

Já o secretário de Meio Ambiente de Americana, Odair Dias, acredita que o volume da chuva potencializou o transbordo. “A própria gravidade faz isso. Houve um considerável índice pluviométrico. O aguapé, independentemente da abertura da comporta, extravasa. É natural essa ocorrência durante os períodos chuvosos”, afirmou.

 

Empresa responsável pelo serviço de retirada dos aguapés da Represa Salto Grande, a CPFL Renováveis informou que a comporta de superfície do reservatório está aberta desde junho deste ano para manutenção da vazão do Rio Atibaia. Entretanto, ressaltou que há nesse período do ano uma maior concentração da carga de poluição nos rios, que são “alimento” para as plantas aquáticas, o que contribui para o crescimento da espécie.

 

“Assim, considerando que a vazão do rio está muito baixa, pode haver o surgimento de plantas aquáticas no leito do rio. Ressaltamos que a ocorrência da população de macrófitas não se restringe ao reservatório de Salto Grande e afeta toda a bacia hidrográfica”, apontou.

 

CPFL e Cetesb discutem plano para retirada

A CPFL Renováveis protocolou na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) no mês passado um plano emergencial para o controle dos aguapés da Represa Salto Grande. A presença das plantas aquáticas foi agravada desde o começo do ano, quando a CPFL interrompeu o serviço de retirada para estudo para uma solução definitiva. Desde então, as macrófitas não são retiradas da represa.

 

A Cetesb recebeu o plano e solicitou maiores informações à CPFL. O prazo final para fornecer os dados era ontem, mas não houve confirmação sobre a chegadas das informações até o fechamento desta edição.

 

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