O número de imóveis residenciais alugados no estado de São Paulo aumentou 1,5 milhão entre 2016 e 2025, com alta de 9,7% apenas no último ano. Os dados são da PNAD Contínua 2025, do IBGE. Na região de cobertura da TV TODODIA, o movimento se reflete na queda no número de lançamentos imobiliários.
A oferta de novos imóveis apresentou retração. Em Campinas, a queda foi de 24%. Já em Piracicaba, o recuo chegou a 44% no volume de lançamentos residenciais. Os números são do Estudo do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, referente ao terceiro trimestre de 2025.
O perfil das unidades disponíveis também evidencia desigualdade no alcance dos programas habitacionais. Em Piracicaba, o programa Minha Casa, Minha Vida responde por 83% dos lançamentos. Em Campinas, a participação é de 15%.
Fatores que explicam o aumento dos aluguéis
De acordo com o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, dois fatores explicam o crescimento da demanda por aluguel. O primeiro é financeiro, relacionado à dificuldade de acesso ao crédito para a compra da casa própria.
O segundo é demográfico, com jovens deixando a casa da família e recorrendo ao aluguel como primeira opção de moradia. “Quando o comprometimento da renda chega a 30% com o aluguel, já se caracteriza uma situação de déficit habitacional”, afirma.
Em Campinas, os imóveis lançados concentram-se na faixa entre R$ 230 mil e R$ 500 mil, não havendo unidades abaixo desse valor. Em Piracicaba, 13% dos lançamentos estão abaixo de R$ 230 mil. O cenário reforça a dificuldade de acesso à casa própria e amplia a dependência do mercado de locação.

Juros altos e inadimplência
O economista Marcos Labarthe aponta que o aumento dos aluguéis acompanha a perda do poder de compra da população. Com juros elevados e alta inadimplência, que atinge oito em cada dez famílias, os bancos passaram a adotar critérios mais rigorosos para financiamento. “O banco não financia 100%. Geralmente, exige uma entrada de 30% a 40%, valor que muitas famílias não conseguem poupar”, explica.
Redução de imóveis quitados
Dados do IBGE mostram que o avanço dos aluguéis ocorre ao mesmo tempo em que há queda de 2,7% no total de imóveis próprios já quitados. Atualmente, eles representam 52,2% das moradias no estado de São Paulo, somando 9,1 milhões de unidades.





