Um estudo do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) apontou que o nível de poluição do Rio Piracicaba está três vezes maior do que o considerado normal para esse período do ano. Alinhado ao baixo teor de oxigênio na água, a situação preocupa, já que uma chuva muito forte poderia causar mortandade da vida aquática.
De acordo com o pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) de Piracicaba, Plínio Barbosa de Camargo, o índice de poluição (conhecido como condutividade elétrica) constatado semana passada é praticamente o mesmo do ano passado: 380. O normal para o período seria algo entre 150 e 180. Porém, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi o teor de oxigênio. A medição ocorreu no começo da semana.
“O oxigênio estava bastante baixo, cerca de 10%, sendo que no ano passado tínhamos 30%, 35%. O mínimo é 50%, pra baixo disso começamos a ficar preocupados. O oxigênio estava baixo provavelmente porque estamos com uma carga poluidora alta”, explicou Camargo.
Segundo o professor, uma chuva muito intensa poderia provocar a mortandade da vida aquática no Rio Piracicaba. “Se tivermos essa chuva intensa, vai haver um revolvimento do fundo do rio e isso poderia causar a mortandade. Se for enchendo devagar, esse processo não ocorre”, disse.
AMERICANA
A água do Rio Piracicaba é utilizada para abastecimento público em Americana. Camargo explica que não existe um risco para o consumo, mas ressalta que a qualidade da água do rio não é boa.
“Piracicaba pega 95% da sua água (de consumo) no Rio Corumbataí, não no Rio Piracicaba. A cidade já considera que a água é tão suja que prefere buscar a 9 km de distância. (…) Já é algo antigo, mas as estações conseguem fazer o tratamento”, explicou.
O diretor geral do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, Carlos Cesar Gimenez Zapia, afirmou que a unidade não precisou fazer alterações no tratamento.
“Em Piracicaba há uma concentração maior de poluição porque o rio recebe descargas de outras águas, como do (Ribeirão) Quilombo e (Ribeirão) dos Toledos. Em Americana, a represa Salto Grande ajuda a segurar os poluentes e o rio tem uma qualidade um pouco melhor. Por enquanto, o DAE não precisou alterar os insumos de produtos para tratamento. Com a redução das chuvas, já detectamos uma mudança na qualidade, mas o DAE está monitorando a situação com análises laboratoriais”, garantiu Zapia.




