Pelo terceiro ano seguido, Americana não registrou mortes no trânsito em julho. Três cidades tiveram leve aumento nos óbitos no trânsito no mês passado: Hortolândia e Nova Odessa, que registraram uma morte cada em julho, ante nenhuma no ano passado; e Sumaré, onde o número de mortes saltou de três, em julho de 2019, para quatro, em julho deste ano. Em Santa Bárbara d’Oeste, houve estabilidade, com duas mortes em julho deste ano e de 2019.
Foi o que apontou o Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo), que faz parte do programa de Respeito à Vida. Os dados envolvem óbitos nas vias públicas e rodovias.
No acumulado do ano, Americana teve nove mortes no trânsito, o segundo menor patamar desde 2015. Ficou atrás apenas de 2018, quando a cidade registrou oito óbitos de janeiro a julho.
Nos sete primeiros meses deste ano, Hortolândia já registrou seis mortes ante nenhum caso ano passado. No mesmo período, em 2017, Hortolândia teve quatro óbitos e, em 2015, dois.
Depois de três anos seguidos sem mortes no trânsito em julho, Nova Odessa teve um óbito mês passado. No acumulado do ano, registrou uma morte, acima de 2019, 2018 e 2017, com zero, mas abaixo dos quatro mortos de 2016 e cinco mortes de 2015.
Em Santa Bárbara, no acumulado do ano, a cidade já soma 16 óbitos, o maior número dos últimos cinco anos. A cidade teve 13 mortes em 2019, quatro em 2018, 13 em 2017, 11 em 2016 e 12 em 2015.
Sumaré teve o maior número de mortes no trânsito em julho de 2020 dos últimos cinco anos. O número ficou acima dos três óbitos cada em 2019 e 2017, dos dois óbitos cada, em 2016 e 2015, e de um morto no trânsito em 2016. Sumaré já soma 13 mortos em 2020, acima dos sete mortos cada de janeiro a julho de 2017 e 2018, mas abaixo dos 20 mortos em 2015, 2016 e 2019.
AÇÕES
Em nota, a Prefeitura de Hortolândia informou que intensificou as ações na área de Mobilidade Urbana a fim de salvar vidas e diminuir, ainda mais, os acidentes de trânsito, fortalecendo a segurança viária na cidade. Entre as ações, reforçou a sinalização, instalou radares para fiscalização, que funcionam desde janeiro do ano passado e estavam desativados desde o final de 2013, além de ações educativas com motoristas e a comunidade em geral.
PERFIL
Em todas as cinco cidades, os principais envolvidos em acidentes são homens, na faixa de 18 a 24 anos. A maioria dos acidentes envolveu motos, à exceção de Hortolândia, que a maior parte dos casos envolveu pedestres. A maior parte dos acidentes foi decorrente de colisões, exceto em Hortolândia, que foi atropelamentos.
A assessoria de imprensa do Infosifa confirmou que a concentração de vítimas na faixa entre 18 e 24 anos e do sexo masculino é uma realidade em comum com as estatísticas estaduais. Um quarto das vítimas tinham entre 18 e 29 anos no Estado. Os homens correspondem a 87% das vítimas de acidentes no Estado. Somente 6% dos condutores vítimas de acidentes são mulheres. Segundo o Infosiga SP, 94% dos acidentes fatais são causados por falha humana.
O professor da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp, Creso de Franco Peixoto, explicou que o número de mortes no período foi muito pequeno, por isso não há uma explicação sobre os motivos para aumento ou queda das mortes nas cidades analisadas.
Para o especialista, fica claro, mais uma vez, que quem morre no trânsito é jovem. Creso destaca que, além do impacto severo do ponto de vista familiar e social, há uma inversão da questão natural, ou seja, os jovens morrem antes que seus pais. Ele explica que o grande problema não é só a baixa idade, mas o comportamento no trânsito. “O jovem entra nos corredores dos veículos, acelera e um dia não volta mais para a casa”, afirmou o professor.
Com relação à concentração das mortes entre os homens, Creso avalia que ainda predomina uma visão machista. O homem desenvolve uma relação de poder com o veículo. “Existe uma visão machista dos que correm porque querem se sentir mais poderosos.”
ESTADO TEM REDUÇÃO NOS ÍNDICES
Em julho, foram registrados 402 óbitos em vias urbanas e rodovias, o que representa uma queda de 16,6% na comparação com o mesmo período de 2019 (482 ocorrências) no estado. No ano, a redução é de 11,4% nas fatalidades (2.726 contra 3.078 nos primeiros sete meses de 2019).
Acidentes com vítimas tiveram redução de 6% em julho (14,1 mil ocorrências contra 15,1 mil). Pedestres formam o grupo com a maior queda no número de óbitos.