quinta-feira, 18 abril 2024

Desperdício: DAE tem 50 denúncias diárias, mas não pode coibir

Sem lei para punir uso irracional da água, autarquia se vê sem poder legal para advertência ou mesmo multa 

Desperdício | Uso da mangueira manda para o ralo 100 litros por metro de calçada (Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress/Arquivo)

Se por um lado parte das pessoas estão mais preocupadas com o uso consciente da água, de outro ainda impera a força da cultura do desperdício, como na lavagem de carros e calçadas com água corrente, a chamada “vassoura hídrica”.

Num período de estiagem que ameaça ser tão rígido quanto o de 2014, esbanjar água em práticas que não são as de subsistência ainda é algo comum de forma generalizada. Muita gente flagra atos do tipo e recorre aoDAE (Departamento de Água e Esgoto) para denunciar.

A medida ajuda como subsídio para o planejamento de ações de educação, mas a autarquia não tem nenhum poder fiscalizatório para coibir essas práticas.

Em média, são cerca de 50 denúncias diárias provenientes de todas as partes de Americana, como informa o diretor geral do DAE, Carlos Cesar Gimenez Zappia.

Mas, sem uma lei ou regulamentação pertinente, a autarquia não tem poder para nenhum tipo de autuação, seja com advertências ou multa.

Punições como essas vêm sendo adotadas em diversos municípios por conta da estiagem e reservatórios secando.

Em Americana, algo do tipo seria possível se o município estivesse sob decreto de estado de emergência, o que não é o caso.

Cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), como Valinhos, por exemplo, já adotaram racionamento. Apesar de a situação não ser das mais confortáveis em nenhum lugar, em Americana o cenário também não é tão rigoroso, como esclarece o diretor.

Há água suficiente para captação e distribuição, o que não quer dizer que deva ser desperdiçada.

Ao menos neste mês, o regime de chuvas se mostra com potencial de superar a média histórica. Mas o volume como o da chuva da última segunda-feira (18) é consumido antes do fim da semana.

Tendo o Rio Piracicaba como única fonte de abastecimento, o município capta e trata 95 milhões de litros por dia, dos quais distribui entre 85 e 90 milhões.

O volume é garantido com duas captações e graças a uma barragem que garante nível, mas não dispensa um tratamento mais apurado devido à queda da qualidade do manancial.

Parte do volume de água é usado no próprio processo, num custo maior devido à estiagem.

Com menos água e menor vazão, o tratamento fica mais caro.

Com a maior concentração de poluentes devido à vazão mais baixa, filtros e decantadores precisam ser lavados com maior frequência, usando não só mais água como outros insumos.

QUANTO GASTA
A estimativa é que Americana tenha um consumo médio de 300 litros por habitante por dia, quando o recomendado por órgãos internacionais é metade disso.

Zappia reconhece que a população, em sua maioria, não tem acesso a equipamentos mais econômicos e de reaproveitamento de água.

Mas o hábito de esbanjar também é uma barreira, sobretudo com a população mais idosa e que permanece em casa, talvez porque as pessoas não tenham noção do quanto de água limpa é gasta em pequenas ações.

Ele exemplifica algumas: uma válvula de descarga apertada por seis segundos consome 30 litros d’água (as descargas com caixa acoplada gastam no máximo 6 litros a cada descarga, metade disso se usado o acionador apenas para urina).

Um banho de uma hora consome 600 litros – água suficiente para uso de três pessoas num dia. O uso da mangueira manda para o ralo 100 litros por metro de calçada.

HORÁRIO DE VERÃO
Zappia defende que o retorno do horário de verão seria muito bem-vindo para as contas e para o consumo. O cerca de 1% em economia com a medida faria muita diferença no município.

No consumo, equivale a 9 milhões de litros d’água, só das pessoas mudarem o horário de uso. E na conta de energia da autarquia também. Antes da bandeira vermelha, esse custo era na ordem de R$ 950 mil mensais. Agora, é em torno de R$ 1,5 milhão.

A retomada faz sentido se comparada com os hábitos do cidadão americanense. É perceptível a alta às sextas (dia de faxina) e sábados (dia de lavar veículos). É por isso que, no fim do dia, ocorrem as quedas de pressão, justifica. 

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