Quase quatro meses após a morte do empresário Rodrigo Witte Alves, de 43 anos, familiares seguem em busca de respostas sobre as circunstâncias da ocorrência que terminou com a morte dele em Americana.
Rodrigo morreu na manhã de 17 de fevereiro, após uma intervenção policial em uma loja de conveniência localizada na região central da cidade. Desde então, a família afirma que ainda tenta entender o que aconteceu nos momentos que antecederam a morte do empresário e questiona a conduta adotada durante a abordagem.

Imagens alimentam dúvidas da família
De acordo com relatos reunidos durante a investigação, Rodrigo esteve diversas vezes no estabelecimento naquela manhã. Testemunhas relataram que ele apresentava comportamento alterado, dificuldade para efetuar pagamentos e momentos de agitação. Horas depois, ele retornou ao local portando um pedaço de ferro e danificou uma porta de vidro. Funcionários acionaram a Polícia Militar e deixaram o estabelecimento antes da chegada das equipes.
Familiares tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança e afirmam que o conteúdo reforçou as dúvidas sobre a forma como ocorreu a contenção. A mãe do empresário, Sônia Witte, relata que enfrenta dificuldades para lidar com a perda do filho e busca esclarecimentos sobre os momentos finais da ocorrência. Segundo ela, as imagens e a falta de respostas definitivas aumentam o sofrimento da família.
“Ele precisava de ajuda”, dizem parentes
Os familiares defendem que Rodrigo deveria ter sido contido e encaminhado para atendimento médico ou levado à delegacia, e não submetido ao que classificam como violência durante a intervenção. A tia do empresário, Cleonice Witte, afirma que a família não consegue aceitar a forma como tudo aconteceu e cobra uma apuração completa dos fatos.
Já o irmão da vítima, que preferiu não se identificar, relata que ainda existem dúvidas sobre a abordagem policial e o atendimento prestado após a contenção. Ele também questiona o tempo de resposta do socorro médico e afirma acreditar que Rodrigo foi vítima de tortura durante a ocorrência.
Defesa aguarda laudos periciais
As alegações apresentadas pelos familiares são objeto de investigação e dependem da conclusão dos laudos periciais e demais diligências conduzidas pelas autoridades. O advogado José Carlos Portella Júnior, que representa a família, afirma que os documentos técnicos serão fundamentais para esclarecer a causa da morte e a dinâmica da ocorrência.
Segundo a defesa, ainda é necessário compreender detalhes relacionados à utilização de dispositivos de eletrochoque e às circunstâncias da intervenção policial. Para o advogado, somente a conclusão dos exames poderá apontar se existe relação entre os procedimentos adotados durante a abordagem e a morte do empresário.
SSP e rede de conveniência não se manifestam
Enquanto aguardam a conclusão das investigações, os familiares afirmam que continuarão buscando esclarecimentos e eventual responsabilização caso sejam constatadas irregularidades. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a causa da morte nem sobre a legalidade da atuação policial.
A equipe de reportagem procurou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo e a rede de lojas de conveniência para comentar as alegações apresentadas pela família e informar sobre o andamento das apurações. A empresa não retornou e a secretaria não se manifestou oficialmente sobre o tema. O espaço permanece aberto para manifestações.




