quinta-feira, 19 fevereiro 2026
TINHAM 15 ANOS

Mãe pede justiça após morte de adolescentes em acidente em Americana

Família contesta versão sobre consumo de álcool e questiona motorista que foi solto após audiência de custódia
Por
Cristiani Azanha

A morte das adolescentes Lídia Moraes Aguiar e Maria Eduarda de Souza Almeida, ambas de 15 anos, gerou comoção em Americana e mobilizou familiares em busca de responsabilização do motorista envolvido no acidente. A colisão ocorreu na madrugada de terça-feira (17), no Jardim Ipiranga, quando o veículo Vectra bateu contra um poste na Rua Igaratá. As jovens voltavam de um bloco de Carnaval realizado em Santa Bárbara d’Oeste.

Lídia morreu no dia seguinte ao acidente. Maria Eduarda faleceu após dar entrada no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. Uma terceira adolescente de 15 anos permanece internada em estado grave. O motorista, de 40 anos, chegou a ser preso em flagrante após se recusar a realizar o teste do bafômetro, mas foi solto em audiência de custódia na quarta-feira (18) e responde em liberdade por homicídio culposo, lesão corporal e porte de entorpecentes.

O velório de Lídia foi realizado na quinta-feira (19), no Cemitério da Saudade. Amigos organizaram um memorial com fotos, camisetas, livros, miniaturas do universo Harry Potter, objetos pessoais e o perfume que a adolescente costumava usar.

Lídia Moraes Aguiar tinha 15 anos e morreu em acidente durante o período de Carnaval em Americana. Foto: Arquivo Pessoal

Mãe nega consumo de álcool e questiona carona
Em entrevista à TV TODODIA, a mãe de Lídia, Jéssica Mayara Moraes, afirmou que as adolescentes tinham autorização para retornar para casa apenas por transporte de aplicativo. Segundo ela, a filha tinha dinheiro para pagar o trajeto e não havia permissão para aceitar carona.

“A Lídia e as amigas dela tinham autorização para voltar de Uber, ela tinha dinheiro, o motorista que estava dirigindo já foi liberado, e a gente pede justiça. Elas eram ótimas alunas, passaram no Polivalente, não tinham bebido, ao contrário do que estão falando na internet, que elas teriam bebido e usado drogas. Elas nunca fizeram isso.”

Mãe rebate boatos
A mãe também contestou informações divulgadas nas redes sociais sobre suposto consumo de álcool ou drogas pelas adolescentes. “O motorista não tinha autorização para trazê-las embora, a gente quer deixar isso bem claro, e vamos buscar nossos direitos para que isso não caia no esquecimento, porque tanto eu quanto a Adriana, mãe da Maria Eduarda, entendemos que ele levou nossas filhas sem nossa autorização. A responsabilidade de elas estarem lá era nossa, mas o motorista não tinha autorização para trazê-las embora, e vamos lutar para que ele pague pelo que fez, pois já está solto.”

Ela ainda destacou a relação de amizade entre as duas jovens. “A Lídia e a Maria Eduarda eram melhores amigas e agora vão estar no céu juntas, e aqui na Terra vamos buscar por justiça.”

Familiares e amigos e despediram de Lídia nesta quinta-feira (19). Foto: TV TODODIA

Estudavam no Polivalente
Lídia cursava Recursos Humanos e Maria Eduarda estudava Administração na Etec (Escola Técnica Estadual) Polivalente de Americana. Em nota, o Centro Paula Souza e a Etec manifestaram pesar pela morte das estudantes e solidariedade aos familiares, além de desejar recuperação às sobreviventes. A unidade decretou luto, mas manteve as aulas.

Motorista nega ter usado drogas
Segundo informações da ocorrência, o motorista afirmou em depoimento que ingeriu suco de uva que poderia estar misturado com bebida alcoólica. Ele negou o uso da maconha encontrada no interior do veículo. Procurado pela reportagem, o advogado Ronaldo Pereira da Silva informou que não irá se manifestar sobre o caso.

Para a família de Lídia, a responsabilização do caso passa a ser prioridade. A mãe afirma que buscará medidas judiciais para que a situação não seja esquecida.

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