segunda-feira, 24 junho 2024

Número de casos de Aids cai 60%

Dados de 2020 mostram queda no índice de novas infecções pelo HIV, que ocorrem principalmente entre jovens 

Risco | O professor Alexandre Naime Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp (Foto: Divulgação)

O número de novos casos de Aids em Americana caiu cerca de 60% em 2020 em relação aos registros de 2019, mas a contaminação ainda tem ocorrido e principalmente entre os jovens. O número de pessoas com a doença no município passou de 28 para 11 no período. Em todo o ano passado, a maioria dos casos da doença registrados na cidade foi entre homens jovens (entre 15 e 24 anos), brancos, heterossexuais e com até o ensino médio completo.

Os dados, que são do governo federal, foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e registrados no Siscel (Sistema de Controle de Exames Laboratoriais) e Siclom (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos).

No entanto, essa queda, segundo especialistas e órgãos de saúde, pode não estar relacionada à maior prevenção, mas à subnotificação de casos devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que pode ter feito com que muitas pessoas deixassem de realizar os testes.

Entre os anos 1987 e 2020, o SAE (Serviço de Assistência Especializada), da Secretaria de Saúde de Americana, registrou 1.835 exames reagentes para HIV e notificou 658 mortes em decorrência da doença.

Assistente social da Aephiva (Associação Ecumênica dos Portadores de HIV de Americana), Raquel Oliveira aponta falta de investimentos e políticas públicas preventivas, além de fornecimento de insumos, como preservativos, para evitar a transmissão.

“De 2017 a 2018, por exemplo, o número de infectados dobrou devido a desabastecimento de preservativos na rede pública. Vemos que, apesar do acesso à informação, muita gente relaxou nos cuidados com a prevenção nas relações sexuais, não assimilou uma mudança de comportamento e não se protege adequadamente”, afirmou.

O professor e doutor Alexandre Naime Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, reforça que os jovens interpretaram de uma maneira perigosa os avanços no tratamento da doença alcançados pela medicina nos últimos anos, o que os têm expostos a riscos.

“Infelizmente, o maior número de pessoas se infectando com o HIV está entre os mais jovens, principalmente na faixa dos 13 aos 24 anos de idade. São as pessoas que estão entrando na vida sexual e que têm menos percepção de risco em relação a infecções sexualmente transmissíveis”, afirmou.

PRECONCEITO
Apesar de ter diminuído bastante nos últimos anos, o preconceito e o estigma em relação a pessoas que convivem com o HIV ainda persistem na sociedade, sendo que alguns fatores, como acesso à informação e serviços de saúde, além de condição socioeconômica, têm um impacto mais significativo no enfrentamento ao preconceito.

“Infelizmente, o estigma ainda existe, e quem é infectado enfrenta preconceito nos relacionamentos pessoais e mercado de trabalho. Muitas pessoas soropositivas se isolam, têm receio de contar pra parentes e amigos. Mas hoje existe amparo jurídico na defesa dos direitos dessas pessoas”, explica Raquel.

O professor Alexandre segue na mesma linha e afirma que esse tipo de discriminação é especialmente cruel e criminoso, sendo que são atitudes que persistem principalmente entre pessoas mais velhas, que não entendem o vírus e a doença. “Existe ainda muito preconceito, apesar de ser menor do que no começo da doença. Antigamente o estigma era muito maior. Mas já vi casos de pessoas que tiveram a casa pixada com dizeres como ‘aidético’ ou ataques semelhantes, pessoas sendo demitidas do seu trabalho e ataques em redes sociais. Ninguém se infecta pelo HIV propositalmente”, afirmou. 

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também