domingo, 16 junho 2024

Patrimônio abandonado em Americana

 Sem qualquer obra de reforma há 13 anos, Casarão do Salto Grande segue largado à própria sorte em Americana

Imóvel do início do século XIX, que remonta às origens de Americana, carece de reforma, mas prefeitura diz não ter recursos e protela a situação (Claudio Mariano / Arquivo / TodoDia Imagem)

O Casarão do Salto Grande, um patrimônio histórico e cultural de Americana, segue sem reformas há 13 anos e ainda não há previsão de quando o prédio será recuperado para que possa ser aproveitado pela população da cidade.

Segundo o atual secretário de Cultura, Fernando Giuliani, a última intervenção feita no local foi realizada em 2008, na gestão do ex-prefeito Erich Hetzl, o que possibilitou a troca do telhado e dos berais do Casarão. A obra custou cerca de R$ 500 mil e foi possível por meio de uma parceria público-privada.

No entanto, desde então a prefeitura não conseguiu reunir recursos suficientes para fazer as outras melhorias que são necessárias no prédio. Com exceção do telhado e dos berais, toda a estrutura precisa ser reformada.

De acordo com Giuliani – que já era secretário na gestão passada, do ex-prefeito Omar Najar -, no governo anterior uma empresa fez um levantamento do que precisa ser feito no edifício histórico para a realização de um projeto de recuperação, mas ele diz que ainda faltam recursos para a obra.

“Sem a ajuda do governo federal vai ser muito difícil fazer um restauro daquele patrimônio. O valor do investimento fica entre R$ 12 milhões e R$ 14 milhões no total. A obra do telhado em 2008 foi a salvação, porque é ele que segura as paredes de taipa-de-pilão. Estamos tentando fazer alguma obra emergencial até a reforma principal acontecer”, afirmou.

HISTÓRIA

O Casarão é um dos edifícios em taipa-de-pilão mais antigos do estado de São Paulo e fica na antiga Fazenda Salto Grande, que era conhecida por suas plantações de açúcar, café e algodão. O espaço foi construído no início do século XIX, às margens dos rios Atibaia e Jaguari.

Em 1975, a Prefeitura de Americana desapropriou o prédio e transferiu, em 1977, o Museu Histórico e Pedagógico Municipal Dr. João da Silva Carrão para suas dependências. Antes, a instituição ficava no Paço Municipal.

No dia 15 de abril de 1982, o local foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico) como monumento de interesse histórico-arquitetônico.

Atualmente, o acervo do museu conta com peças da Revolução Constitucionalista de 1932, da Segunda Guerra Mundial, entre outros objetos, como itens que fazem referência ao período da escravidão no Brasil.

Segundo a jornalista Ana Paula Pontes, da produtora americanense 3marias, empresa que ajudou a arrecadar os fundos para a reforma do telhado em 2008, arrecadar recursos para a obra sempre foi difícil.

“Batemos em muitas portas pedindo o patrocínio, até que em agosto de 2008, a Ripasa Celulose e Papel, que estava em fase de transição para o grupo Conpacel, destinou os 20% necessários para o início das obras, que foi o valor de R$ 512 mil. Antes das obras, o Casarão corria o risco iminente de desabamento”, afirmou.

A produtora até conseguiu recursos em junho de 2006, quando o projeto de recuperação foi aprovado por meio da Lei Rouanet. Nesse formato, uma empresa ou pessoa física pode destinar parte do IR (Imposto de Renda) devido para um projeto cultural aprovado pelo governo.

No entanto, por falta de patrocinadores, o projeto não avançou. “O que estava ao nosso alcance para manter viva nossa história, nós fizemos! Pensar em um novo projeto hoje é muito delicado, já que a Secretaria Especial da Cultura (antigo Ministério da Cultura) vem enfrentando dificuldades para a liberação de novos projetos”, completou.

Antes de seu fechamento, o Casarão recebia visitações, principalmente de estudantes de escolas do município. “Tenho plena convicção que a educação forma, mas é a cultura que transforma as pessoas em cidadãos plenos. O Museu do Casarão nos remete à história de Americana, então faz muita falta ao município”, lamentou a historiadora Divina Bertalia.

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