domingo, 1 março 2026
DIVERSIDADE

Autor de Cosmópolis lança romance gay e leva produção literária do interior à região

“Nardinho & Nando” marca nova fase de Juh Brilhante e reforça protagonismo cultural fora dos grandes centros
Por
Thayla Nogueira
Para o autor, mais do que vender exemplares, a proposta é gerar identificação. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Em cidades maiores da região, lançamentos literários fazem parte de uma agenda cultural já consolidada. Em municípios menores, como Cosmópolis, cada novo livro publicado de forma independente representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um avanço para a cena cultural local.

É nesse contexto que o escritor Juh Brilhante apresenta “Nardinho & Nando”, quarto livro da carreira e primeiro romance totalmente ficcional do autor. A obra acompanha o encontro entre Bernardo, fotógrafo introspectivo, e Nando, assistente social impulsivo, dois homens que não buscavam um relacionamento, mas se veem atravessados por uma paixão intensa.

A relação com a escrita começou cedo. “Desde criança eu sempre tive muita afinidade com as palavras”, relembra. O primeiro livro nasceu de crônicas publicadas na internet, nas quais abordava experiências pessoais e o processo de descoberta da própria identidade. “Eu comecei a escrever crônicas que interpelavam a minha vida pessoal, minha saída do armário, como eu me entendi como um homem gay.”

Virada criativa
Depois de obras com forte tom autobiográfico, o novo romance marca uma virada criativa. “Eu queria um romance que fosse leve, que trouxesse conforto e entretenimento. A gente já vive tanta coisa pesada”, afirma.

Produzido de forma independente, o livro será lançado por meio de pré-venda nas redes sociais do autor. Todo o processo de arrecadação e impressão é organizado por ele. “Eu nunca procurei uma editora. É tudo através de mim”, explica.

Escrever literatura LGBTQIA+ no interior, no entanto, ainda impõe barreiras. “Tem pessoas que já me falaram que queriam ter meu livro em casa, mas não podem, porque o primeiro tem uma meia de arco-íris na capa”, relata.

Para o autor, mais do que vender exemplares, a proposta é gerar identificação. “Quando eu li meu primeiro romance LGBT contemporâneo, eu me senti representado. Talvez não mude a vida de alguém, mas pode fazer a pessoa se sentir vista.”

Com personagens carismáticos e foco em pertencimento e coragem emocional, “Nardinho & Nando” reforça que a produção cultural do interior também dialoga com temas universais e pode alcançar leitores muito além dos limites de Cosmópolis.

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