domingo, 26 maio 2024

Avó pede “justiça” no sepultamento de menina assassinada pelo padrasto em Hortolândia

A avó da menina Maria Clara Calixto Nascimento, 5, assassinada pelo padrasto, pediu Justiça no momento do sepultamento da neta, no Cemitério Parque Hortolândia, na manhã deste sábado (19). O velório e o enterro tiveram forte esquema se segurança, para prevenir possíveis confrontos, depois de protestos na frente da delegacia durante a prisão em flagrante na sexta-feira (18).

Foram três horas de sepultamento, das 7h às 10h. “O condomínio onde moro está em luto. A cidade está em luto”, disse a avó Zuleide Viana. Muito abalada e aos prantos, a avó de Maria Clara, amparada por familiares, pediu para que a morte da criança não caia no esquecimento e que seja feita Justiça para a neta, com a condenação do assassino confesso, o auxiliar de produção Cássio Martins Camilo, 27, que foi preso em flagrante, após tentar fugir.

“Minha neta, que tive tanto carinho, que tinha todo cuidado do mundo… Nunca mais eu vou ver minha neta. Isso tem que ter Justiça”, desabafou. Na opinião da avó, o assassino confesso não merece a prisão, mas a morte. “Lá ele vai beber, vai comer, mas nós nunca mais vamos ter a paz que a gente tinha, o amor que a gente tinha”, afirmou a avó.

“Foi um monstro. Ele quebrou a minha netinha inteira. Ele quebrou maxilar, perna, braço. Ele acabou com a minha neta. A minha neta está irreconhecível”, relatou a avó, aos prontos, durante o velório.

Um dia antes do desaparecimento, quarta-feira (16), a menina ficou o dia todo com a avó, que pediu para a filha deixá-la dormir na sua casa, mas a mãe a levou embora. No dia seguinte, a menina desapareceu.

Segundo a avó, a neta nunca tirava fotos com ela, mas um dia antes da morte a menina insistiu para que pousassem juntas. Essas são as últimas lembranças da avó: da menina sorrindo e pedindo para ela fazer caretas.

A corpo da criança estava a 100m da casa da avó. “A gente tinha certeza que ele tinha matado ela, a gente sabia que ele tinha matado, porque ele era muito frio, estava muito frio”, relatou a avó, ao comentar as buscas que ela e o filho fizeram para encontrar a menina.

Segundo a avó, estava junto com o filho, quando encontrou a caixa no meio do mato. Dentro, estava o corpo da menina, deitada de lado, com as mãos no rosto – o mesmo jeito que dormia – e, em cima do corpo, plásticos e panos velhos.

Havia um clima de tristeza no velório. A vizinha que se identificou como Daiane disse que não conhecia a família, viu a reportagem e ficou muito triste com tudo o que aconteceu. “É muito triste, demais. Estou chocada”. “Fiquei revoltada, se pegar um homem desse, é para matar”, disse a vizinha.

“Eu sou mãe. É uma dor que não desejo nem para o pior inimigo”, disse uma amiga da avó, que não se identificou.

Os presentes prestaram homenagens à menina, com salva de palmas. A mãe da menina, a auxiliar de produção F.K.V.N., 25, passou mal enquanto o corpo era enterrado e teve que se afastar para ser amparada pelos familiares. A mãe prestou depoimento na sexta e, depois, foi liberada.

Na despedida, a avó também agradeceu aos veículos de comunicação, inclusive ao TODODIA, cujos profissionais usaram as luzes dos equipamentos de filmagens para ajudar nas buscas pela menina em meio a lama, em matagais nas proximidades da residência, na Vila Real Continuação, onde o crime ocorreu.

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