Quarta, 10 Agosto 2022

Bares e restaurantes demitem 6,4 mil na RMC

Bares e restaurantes demitem 6,4 mil na RMC

Até agora, cerca de 6,4 mil trabalhadores de bares e restaurantes da RMC (Região Metropoliana de Campinas) - dos quais 3,2 mil em Campinas - foram dis

Até agora, cerca de 6,4 mil trabalhadores de bares e restaurantes da RMC (Região Metropoliana de Campinas) - dos quais 3,2 mil em Campinas - foram dispensados por causa das restrições de funcionamento do comércio em decorrência da pandemia do novo coronavírus. O levantamento é da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) RMC. 

Sem a MP (Medida Provisória) 936 do governo federal, que permitiu reduzir jornada de trabalho e salários e disponibilizou recursos para pagamento de folha, seriam mais 23,6 mil demissões, totalizando 30 mil dispensas, segundo a associação. O   setor empregava 60 mil pessoas na RMC. 

Os bares estão proibidos de abrir. Os restaurantes funcionam com portas fechadas e implantaram ou ampliaram as entregas domiciliares. 

A MP que entrou em vigor na quinta-feira passada (2) beneficia cerca de 12 mil bares e restaurantes na RMC, segundo a Abrasel. Mesmo assim, a situação é preocupante, informa o Sinhores, Sindicato da categoria, que abrange 77 cidades e está autorizado a firmar acordos para redução das jornadas. 

O presidente do Sinhores, José Haroldo Monteiro Veigas, disse que as medidas governamentais ainda não chegaram na ponta. 

"Há uma constatação de que as medidas do governo federal ainda não têm chegado até a ponta para dar fôlego às micro e pequenas empresas. Diversas que não tinham caixa e fluxo financeiro para mais do que uma semana estão descontinuando seus negócios e já até em procedimentos de entrega de imóveis, visto que não querem recair em endividamento excessivo", informou Veigas. 

Segundo Veigas, há pequenas empresas que estão demitindo todos os funcionários para não se inviabilizarem por muito tempo. "E essas demissões sucessivas têm realmente um número expressivo, parte como carteira, parte jornada de trabalho intermitente e parte PJs (pessoas jurídicas), mas no momento não há estatística oficial. A situação é bastante preocupante por ser um mercado de trabalho que emprega muitos jovens e que acaba funcionando como comércio de vizinhança para toda a sociedade", afirmou Veigas. 


SEM FÔLEGO 

O presidente da Abrasel RMC, Matheus Mason, reconhece que muitas empresas demitiram funcionários. "Muitas empresas não tiveram fôlego financeiro para aguentar o fechamento e a queda do faturamento", disse Mason. Para estes casos, a MP não terá validade e os funcionários não poderão ser readmitidos por seis meses, como determina a legislação. 

Segundo Mason, foram duas semanas tensas, à espera desse anúncio do governo federal. "Com esta ajuda, os bares e restaurantes ganham um alívio para garantir a manutenção de cerca de 23 mil postos de trabalho que estavam sob ameaça", afirma. 

Para Mason, a MP deve ajudar a frear as demissões no setor. "Ainda estamos avaliando com nosso jurídico o impacto da medida, mas com certeza ela vai interromper as demissões", disse. 


DEPOIMENTOS 

  • Comerciante dispensou 30% dos colaboradores freelancers e unificou duas unidades

O empresário Gustavo Antoniassi, da Rede de Restaurantes Dona Maria, disse que dispensou cerca de 30% dos colaboradores das cinco unidades que atuavam como freelancer. “Das cinco unidades tivemos que suspender o funcionamento de duas e focar em três restaurantes para se adequar a baixa demanda”, disse.  

Isso porque a queda do movimento chegou a 50% nas três unidades ainda em operação, em Americana e Santa Bárbara d´Oeste. Nas unidades da Avenida Paschoal Ardito, em Americana, e de Nova Odessa, a queda das vendas foi ainda maior: 70%. Por isso, centralizou as operações destas unidades na cozinha da Avenida Abdo Najar e continuou o atendimento. ”Para não ter que fazer mais demissões e nem reduzir salários, fizemos remanejamentos de equipes. Colocamos alguns colaboradores em férias também”, relatou Antoniassi. E usou a criatividade para enfrentar a concorrência e fidelizar os clientes.  

“Estamos investindo em delivery, com aumento do número de motoboys e redução do prazo estimado de entrega. Centralizamos em um só número de WhatsApp todo o atendimento para otimizar todo o processo. Além disso, estamos oferecendo vantagens aos nossos clientes ao isentar a taxa de entrega e enviar como cortesia salada e sobremesa”, contou o empresário. 



  • Chef reduziu jornada e salários e implantou sistema selfservice

O proprietário do Madressilva Café e Restaurante, em Americana, chef Renato La Selva, informou que reduziu a jornada de trabalho em 30% e com salários proporcionais, mas não demitiu funcionários. E implantou delivery, depois de 17 anos de funcionamento. Mesmo assim, sentiu uma queda de 70% das vendas.  

“Já teve uma mudança grande na postura dos clientes e acho que quando os restaurantes forem autorizados a voltar a trabalhar e atender, eu acho que não vai ter um atendimento como era no passado, o mesmo volume, principalmente no começo, porque muitas pessoas vão ficar inseguras de sair e vão continuar pegando pelo delivery”, disse o chef. Por isso, manterá a entrega em casa. 



  • Restaurante faz adaptação no cardápio para dinamizar entrega em casa

A chef Bruna Chacur, da rede de Restaurantes Fogão à Lenha, com três lojas em Americana e uma em Paulínia, informou que também fez adequação do cardápio, que ficou mais enxuto, para continuar com as entregas aos clientes em suas residências ou no trabalho. De manhã, os clientes recebem o cardápio pela lista de transmissão do whatsapp. “Está dando certo. O número de pedidos no balcão para retirada também aumentou. Controlamos a fila para não haver aglomeração de pessoas e estamos tomando todos os devidos cuidados e proteção”, informou a chef. Contudo, ficou sem o movimento no self-service, no salão, nas unidades. 



  • Fádiadobrou a jornada, antecipou férias e intensificou publicações nas redes sociais 

A chef Fádia Cheaito, do Sheike Culinária Árabe, antecipou as férias dos garçons e dos funcionários do bar. E implantou o delivery no almoço. Já fazia entregas no jantar. Então, dobrou o turno. Se a quarentena persistir em maio, pretende reduzir jornada e salários, mas funcionários terão de usar equipamentos de proteção individual.  

“Não demitimos ninguém. Implantamos delivery no almoço e jantar, para aumentar o fluxo de caixa”, relatou Fádia. Mesmo assim, definiu um cardápio mais acessível. Adotou um cuidado extra de fornecer máscaras e luvas aos motoboys que não entram no restaurante por questões de segurança. Ainda discutiu alongamento do prazo de pagamento com os fornecedores, com aqueles que aceitaram a proposta. Outra estratégia foi impulsionar as publicações nas redes sociais, divulgar vídeos e disparos de mensagens nas listas de transmissão no WhatsApp. 

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