Campinas e Limeira se destacam na redução de perdas de água, aponta Instituto Trata Brasil
Cidades do interior paulista se destacam no saneamento básico, atingindo metas de excelência estipuladas pelo Governo Federal
Campinas e Limeira são exemplos regionais no combate ao desperdício de água, aponta o “Estudo de Perdas de Água 2026”, divulgado pelo ITB (Instituto Trata Brasil) em parceria com a GO Associados na quarta-feira (3). O levantamento analisou os 100 municípios mais populosos do país, utilizando dados do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) com ano-base de 2024.
Há, no documento, um alerta preocupante para o cenário hídrico nacional: o Brasil desperdiça 39,53% de sua água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras. Na região de cobertura da TV TODODIA, Campinas e Limeira são destaques por operarem dentro do padrão de excelência estabelecido pela regulação do setor.
O retrato paulista
O estado de São Paulo apresenta indicadores melhores do que a média nacional. As perdas na distribuição paulistas fecharam 2024 em 32,15%, com perdas por ligação de 280,34 L/ligação/dia. Ainda assim, o estado segue acima da meta fixada pela Portaria 788/2024 do Ministério das Cidades, que exige a redução para 25% (distribuição) e 216 litros por ligação ao dia até 2033.
Dos 100 municípios analisados pelo Trata Brasil, apenas 12 conseguiram atingir simultaneamente as metas de excelência, e as duas cidades da nossa região estão nesse seleto grupo. Limeira ostenta a 5ª melhor marca do Brasil em perdas na distribuição, registrando apenas 16,58% de desperdício, enquanto Campinas vem logo em seguida, na 6ª colocação nacional, perdendo apenas 17,46% da água no caminho até o consumidor.
Por outro lado, Piracicaba registrou 38,10% de perdas na distribuição e expressivos 350,91 litros perdidos por ligação diariamente. Os números piracicabanos estão colados na média brasileira, indicando a necessidade de investimentos estruturais em troca de tubulações, combate a fraudes e controle de pressão.
| Localidade | Perdas na Distribuição (%) | Perdas por Ligação (L/dia/ligação) | Status frente à Meta 2033 |
| Meta Nacional (2033) | ≤ 25,00% | ≤ 216,00 | – |
| Limeira | 16,58% | 113,11 | Padrão de Excelência |
| Campinas | 17,46% | 125,23 | Padrão de Excelência |
| São Paulo (Estado) | 32,15% | 280,34 | Acima da meta |
| Piracicaba | 38,10% | 350,91 | Acima da meta |
| Brasil (Média) | 39,53% | 349,09 | Crítico |
(Dados consolidados a partir do SINISA 2024. Meta regulatória pela Portaria MCID nº 788/2024).
O custo do desperdício
A ineficiência no saneamento tem um preço alto para o Brasil. Segundo o estudo, os vazamentos e as chamadas “perdas físicas” totalizaram 4,4 bilhões de metros cúbicos em 2024.
Na prática, isso equivale a 4.800 piscinas olímpicas de água tratada jogadas fora todos os dias; um volume que seria capaz de abastecer 77 milhões de pessoas por um ano inteiro. Do ponto de vista financeiro, estima-se que alcançar a meta realista de 25% de perdas no país geraria um benefício bruto de R$ 47,3 bilhões até 2033.
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