domingo, 16 agosto 2026
LUZ, CÂMERA, AÇÃO

Como filme ‘Velozes 2’ transformou Campinas em set de filmagens

A produção busca a valorização da comunidade local e a representatividade feminina, trazendo uma protagonista forte para um gênero tradicionalmente dominado por homens
Por
Nicoly Maia

Uma produção cinematográfica independente mobiliza moradores, comerciantes e entusiastas do automobilismo no Jardim Nova América, em Campinas. Dirigido pelo cineasta Lucas Christian, de 26 anos, o longa-metragem Veloz 2: no rastro da velocidade já soma um ano e quatro meses de gravações e utiliza a cidade como principal cenário.

Sem patrocínio ou grandes recursos financeiros, o projeto busca valorizar a comunidade local e ampliar a representatividade feminina no gênero de ação e automobilismo, com uma protagonista à frente da história. Na madrugada de domingo (2), a equipe gravou cenas na Avenida Francisco Glicério, no Centro de Campinas.

A previsão de lançamento nos cinemas é para o primeiro semestre de 2027. Foto: Pedro Lucas/ TV TODODIA

Da garagem para as avenidas
A produção começou de forma despretensiosa na garagem da casa de Lucas Christian, no Jardim Nova América. O diretor decidiu manter parte das gravações na região onde mora e envolver comerciantes e moradores no projeto. “Eu moro no Jardim Nova América e faço questão de colocar os comerciantes locais, as pessoas da região para estarem aqui. Tento usar isso como um combustível para crianças e adolescentes se inspirarem e fazerem suas próprias obras”, afirma Christian.

O suporte da família também foi importante para a realização do filme. Lucimeire Gine, mãe do diretor, atua como auxiliar de produção e participa de diferentes etapas, desde a colaboração no roteiro até a organização da alimentação da equipe. “O primeiro curta veio como um treinamento para a gente. A gente errou muito. Hoje ele tem um profissional que cuida só do áudio, um que cuida só da luz”, relata Lucimeire.

Ela também destaca que a equipe trabalha de forma voluntária e conta com a participação de amigos interessados em contribuir com a produção. “Por mais que a gente não tenha patrocínio, a gente tem uma demanda enorme de amigos que querem fazer acontecer. Está todo mundo nessa história pelo amor, por acreditar no cinema brasileiro”.

Equipe busca estrutura profissional
A produção do longa exigiu uma estrutura maior em comparação com o curta-metragem que deu origem ao projeto. Vitor Silva atua no roteiro, na direção e na organização das filmagens e conta que a equipe buscou atores em formação para ampliar a preparação do elenco. “Eu dei a ideia para o Lucas de ir na minha escola de artes cênicas buscar os alunos que estão finalizando a formação, trazendo um pouco mais de profissionalidade com a atuação”, explica Vitor.

As gravações em vias públicas também exigem planejamento e autorização. Segundo o produtor, a equipe precisou solicitar permissões para realizar as filmagens durante a madrugada na Avenida Francisco Glicério. “A gente corre atrás de permissão, ofício, ajuda da prefeitura. Na Glicério, a gente conseguiu um ofício para fechar das meia-noite às quatro da manhã. E a gente gravou tudo bem sincronizado e coreografado”.

Na captação das cenas de ação, Eduardo Melo trabalha diretamente com as imagens dos automóveis em movimento. Para ele, as gravações exigem equipamentos e planejamento específicos. “Quando a gente faz um filme a respeito de velocidade de carros, a gente precisa trabalhar em larga escala. Trabalhar com muitas pessoas, com carros em movimento, exige o equipamento necessário e também o conhecimento para conseguir pegar os melhores takes”.

Protagonista estreia no cinema
A personagem Júlia, protagonista da história, é interpretada pela estudante de teatro Annalu Morais. A atriz considera a gravação na Avenida Francisco Glicério um momento marcante de sua estreia no cinema. “Foi uma experiência que eu não imaginava vivenciar tão cedo, de estar no meio da avenida e todas aquelas pessoas em volta assistindo, ajudando e vibrando com a gente”, recorda.

Annalu também adianta que a trama terá reviravoltas. “Vem aí muita emoção, muita intriga, muito plot twist. Eu mesma me emociono gravando as cenas”.

O vilão Marcelo é interpretado por Pedro Ramos, que também participa pela primeira vez de um set de filmagem. Segundo o ator, o personagem exige uma construção psicológica diferente. “Tem sido muito difícil viver um vilão, sentir as questões que ele traz. São sempre questionamentos morais e atitudes que mexem na história”, afirma.

A gravação no Centro de Campinas também foi destacada por Pedro como uma das experiências mais marcantes do projeto, devido à dimensão das cenas e à integração com a paisagem urbana.

Previsão de estreia
Com previsão de lançamento nos cinemas no primeiro semestre de 2027, Veloz 2: no rastro da velocidade segue em produção, com gravações em diferentes pontos de Campinas.

O projeto começou a partir de uma iniciativa independente no Jardim Nova América e reúne moradores, comerciantes, atores e profissionais que trabalham de forma voluntária para levar a história às telas.

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