
Professores e estudantes da Unicamp decidiram encerrar a greve que mobilizou a universidade por aproximadamente 25 dias. A decisão foi tomada em assembleias realizadas nesta quinta-feira (11), após avanços nas negociações envolvendo reajuste salarial e reivindicações apresentadas pelo movimento estudantil.
No caso dos docentes, o encerramento da paralisação ocorreu após a aprovação da proposta de reajuste salarial de 3,92%, definida em reunião entre o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e o Fórum das Seis. Já os estudantes anunciaram o fim da greve ao avaliarem que parte significativa das pautas apresentadas foi atendida pela administração universitária.
A decisão dos estudantes ainda deverá ser ratificada em assembleias locais, mas a expectativa é de que a ocupação da DGA (Diretoria Geral de Administração), iniciada em 8 de junho, seja encerrada nos próximos dias.
Reitoria avalia resultado das negociações
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, afirmou que recebeu com satisfação o encerramento dos movimentos grevistas e destacou que manifestações fazem parte do ambiente universitário. Segundo ele, embora nem todas as reivindicações possam ser atendidas devido às limitações orçamentárias, muitas demandas apresentadas contribuem para aperfeiçoar as políticas institucionais da universidade.
Montagner também destacou que as universidades estaduais paulistas enfrentam um cenário de arrecadação abaixo do esperado, o que impacta diretamente a capacidade financeira das instituições. Ainda de acordo com o reitor, durante todo o processo houve diálogo com os diferentes segmentos da comunidade acadêmica, incluindo estudantes, professores e servidores.
Negociações envolveram mais de dez entidades estudantis
O diretor-executivo de Sustentabilidade da Unicamp e representante da Reitoria na comissão de negociação, Roberto Donato, explicou que foram realizadas seis reuniões com o movimento estudantil durante o período de paralisação. Segundo ele, a composição da mesa de negociação reuniu representantes de mais de dez entidades e coletivos, além do DCE (Diretório Central dos Estudantes), totalizando 23 integrantes no comando de greve.
Entre os grupos participantes estavam coletivos ligados a pautas de acessibilidade, diversidade de gênero, movimento negro e trabalhadores terceirizados. De acordo com Donato, a diversidade de reivindicações tornou as negociações mais complexas, mas o processo ocorreu em ambiente de respeito entre as partes.
Moradia estudantil e permanência entre os avanços
Entre os principais resultados apontados pela administração da universidade estão a construção de uma política de moradia estudantil para o campus de Limeira e avanços nas discussões sobre a distribuição das bolsas de permanência. A Reitoria também destacou que demandas específicas de algumas unidades continuarão sendo debatidas. No Instituto de Artes (IA), por exemplo, a reconstrução do Paviartes segue em andamento, com previsão de início das obras em 20 de junho.
Durante a greve, estudantes reivindicavam melhorias em políticas de permanência estudantil, assistência, moradia, acessibilidade e transporte, além de manifestarem posicionamentos contrários à autarquização de serviços e à terceirização em setores da universidade.
Segundo a administração, as negociações sobre pautas específicas continuarão mesmo após o encerramento da paralisação.





