
As exportações da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Campinas cresceram 10,5% em abril deste ano e ultrapassaram a marca de US$ 330 milhões. Apesar do desempenho positivo no comércio exterior, empresários da Região Metropolitana de Campinas (RMC) mantêm cautela diante de fatores como juros elevados, indefinições sobre a reforma tributária e dificuldades para contratar mão de obra qualificada.
Segundo o vice-diretor do Ciesp Campinas, Valmir Caldana, o avanço das exportações foi um dos destaques do período. “Abril foi um mês muito bom para as exportações da regional, que chegaram a 330 milhões de dólares, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. A tendência ainda é de cautela, mas a região entra neste período com exportações em recuperação, muito por conta da busca por novos parceiros comerciais”, afirmou.
Campinas lidera exportações da regional
Campinas foi o município com maior volume de exportações na regional em abril, seguida por Paulínia e Sumaré. Já nas importações, Paulínia liderou o ranking, impulsionada principalmente pelo polo petroquímico e energético.
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos produtos exportados pela região, seguidos por Argentina e México. No sentido inverso, a China continua sendo a principal origem das importações. “Os Estados Unidos seguem em primeiro lugar nas exportações da região, enquanto a China responde por cerca de 29% das importações. No caso de Paulínia, o setor energético tem papel importante nesse desempenho, já que o Brasil exporta petróleo e também importa combustíveis como o diesel”, explicou Caldana.
Produção estável e queda na lucratividade
A pesquisa industrial divulgada pelo Ciesp mostra que 92% das empresas da RMC afirmaram que o volume de produção permaneceu estável em maio na comparação com abril. Nenhuma das indústrias consultadas apontou crescimento no período. O levantamento também identificou queda no faturamento para 38% das empresas e redução da lucratividade em parte do setor.
Para o diretor titular do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, o ambiente econômico segue desafiador. “Estamos vivendo um momento de gasto público elevado, juros muito altos, falta de mão de obra e indefinição da reforma tributária. Isso acaba refletindo na produção, nas vendas e na lucratividade das empresas”, afirmou.

Mão de obra e reforma tributária lideram preocupações
Na chamada “pergunta volante” da pesquisa, o Ciesp questionou os empresários sobre os principais gargalos enfrentados atualmente pela indústria regional. A falta de mão de obra qualificada e as incertezas relacionadas à reforma tributária apareceram empatadas como os maiores desafios, ambos citados por 31% dos entrevistados. Em seguida surgem os juros elevados e o custo do capital, apontados por 23%.
Segundo José Henrique Toledo Corrêa, a dificuldade para encontrar profissionais qualificados tem afetado diretamente a capacidade produtiva das empresas. “Muitas vezes a indústria tem demanda, tem pedidos e precisa ampliar a produção, mas não encontra profissionais capacitados para preencher as vagas. É um problema grave que precisa ser tratado de forma mais séria”, disse.
Empresários defendem crédito mais acessível
O levantamento também mostra que 55% dos empresários consideram fundamental ampliar a oferta de crédito e reduzir as taxas de juros para estimular novos investimentos e o crescimento da atividade industrial na região.
Apesar da recuperação nas exportações, o setor segue acompanhando com cautela os indicadores econômicos e os efeitos das discussões sobre a reforma tributária e o mercado de trabalho.
Abrangência
O Ciesp Campinas abrange uma área que inclui 10 das 20 cidades da RMC. Entre elas, Campinas, Paulínia, Hortolândia e Sumaré.
Ao todo, 19 municípios fazem parte da regional.





