
A greve de estudantes e servidores da Unicamp entrou nesta terça-feira (12) no segundo dia de mobilização com bloqueios em acessos da universidade e impactos no trânsito em Campinas e região.
Durante a manhã, grevistas fecharam a entrada da universidade para veículos que chegam pela Avenida Guilherme Campos, principal acesso ao campus de Barão Geraldo para motoristas vindos da Rodovia Dom Pedro I (SP-065).
O bloqueio provocou congestionamentos e lentidão em diversos pontos da região. Motoristas enfrentaram reflexos no trânsito na própria Dom Pedro, na Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332) e também na Rodovia Campinas-Mogi (SP-340), com filas e trânsito intenso em horários de pico.
A manifestação reuniu estudantes e trabalhadores da universidade, que mantêm paralisação aprovada em assembleias realizadas nos últimos dias.
Assembleias aprovaram greve
Segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes), uma assembleia com mais de mil participantes aprovou o indicativo de greve estudantil. Paralelamente, o STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) informou que os servidores iniciaram greve na segunda-feira (11).
Os Centros Acadêmicos passaram a convocar assembleias específicas nos cursos para discutir a adesão à paralisação em toda a universidade.
Pautas incluem permanência estudantil e autarquização
Entre as reivindicações apresentadas pelos estudantes estão temas ligados à permanência estudantil, assistência universitária e infraestrutura.
O movimento pede moradia estudantil no campus de Limeira, ampliação de serviços como SAVS (Serviço de Apoio ao Estudante), SAER (Serviço de Apoio ao Estudante e Recursos de Acessibilidade) e SAPPE (Serviço de Apoio Psicológico e Psiquiátrico ao Estudante).
Os estudantes também reivindicam melhorias em acessibilidade, criação de transporte Intercamp para Piracicaba, implantação do Teatro Laboratório e o fim da contrapartida BAS.
Outro ponto central da mobilização é o posicionamento contrário à autarquização de setores da universidade. Os estudantes afirmam que a medida pode abrir espaço para mudanças administrativas, terceirizações e alterações na estrutura de gestão da instituição.
Além disso, o movimento também critica terceirizações e faz manifestações contrárias ao governo estadual.
Em nota divulgada nas redes sociais, o DCE afirmou que pretende manter mobilização conjunta com os trabalhadores da universidade.
Servidores criticam negociações
O STU também vem divulgando comunicados criticando a condução das negociações salariais entre representantes das universidades estaduais paulistas e o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas).
Segundo o sindicato, os trabalhadores reivindicam reajustes em benefícios, avanços em progressões de carreira e pagamento de valores retroativos.
A entidade afirmou ainda que houve suspensão de reuniões de negociação e classificou a medida como “autoritária”.
O sindicato também criticou a proposta de reajuste apresentada durante as negociações e defendeu a continuidade da mobilização.
Nos últimos dias, trabalhadores e estudantes participaram de atos em São Paulo ligados às discussões do Cruesp. O sindicato mencionou ainda a atuação da Polícia Militar em manifestações realizadas na USP (Universidade de São Paulo) e na Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Posicionamento da Unicamp
Em nota, a Reitoria da Unicamp informou que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e direções das unidades de Campinas e Limeira.
A universidade afirmou que a administração central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios.
Segundo a instituição, estudos seguem sendo realizados para viabilizar melhorias dentro das possibilidades orçamentárias da universidade.
A Reitoria também declarou que busca preservar o ambiente acadêmico, a segurança jurídica e a continuidade das atividades de ensino.





