quarta-feira, 22 maio 2024

Cidades da região investem contra fraude em hidrômetros

Cidades da região fecham o cerco contra a fraude nos hidrômetros, que anualmente provocam um rombo milionário nas contas públicas, além de comprometerem o próprio sistema de abastecimento.

Administrados pelo poder público ou por concessionárias privadas, os serviços se concentram hoje na identificação e na punição de infratores, além de intervenções físicas que possam dificultar os procedimentos criminosos.

Nova Odessa, por exemplo, chegou a registrar, até 2018. Cerca de 40 fraudes anuais dos equipamentos. O sujeito fazia ligações clandestinas na rede para deixar de pagar a conta, ou usava pregos, arames e cabos para alterar o registro do consumo nos hidrômetros.

Para mudar a situação, a Coden Ambiental – administradora do sistema, controlada pela prefeitura – investe na fiscalização e na substituição dos equipamentos avariados.

Em Sumaré, a situação é alarmante. A concessionária BRK descobriu, só no ano passado, 565 irregularidades, número equivalente a 10,9% dos hidrômetros instalados.

Para conter as fraudes, a empresa acirrou a vistoria da rede, por meio da análise visual executada pelos próprios agentes que conferem o consumo. Diante de variações de consumo suspeitas, uma equipe técnica confere a situação in loco.

TROCA

Nova Odessa decidiu combater as fraudes com a troca periódica dos hidrômetros e a adoção de equipamentos modernos, que identificam rapidamente a alteração no volume de água consumida.

Os aparelhos “volumétricos” permitiram que o número de fraudes anuais caísse de 40 para 28 em 2019. “A troca, feita a cada cinco anos, já garante a redução significativa das ocorrências”, explica o chefe do Setor de Contas e Consumo da Coden Ambiental, Alexandre Rodrigues.

Só no ano passado foram trocados 1.650 hidrômetros na cidade, resultado de um investimento de R$ 196,2 mil.

A companhia ainda investe na fiscalização. E os leituristas assumem um papel essencial no processo. Eles fazem a “análise crítica” do consumo. “Uma leitura que não oscila ou um consumo incompatível com o número de moradores da casa pode ser indício de irregularidades”, diz Rodrigues.

Outro fator que contribui para a redução das fraudes é a substituição da rede de distribuição de água.

Nos últimos sete anos, foram investidos R$ 37 milhões na troca de 62 quilômetros de tubulação antiga por tubos mais resistentes e duráveis, e em novos equipamentos, como softwares de monitoramento, válvulas de controle de pressão e sensores modernos.

“Quando trocamos a rede de distribuição, substituímos também as ligações domiciliares, responsáveis por levar a água da rua aos hidrômetros. A nova instalação inibe a ação de fraudadores”, afirma o diretor-presidente da companhia, Ricardo Ongaro.

Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 0800-7711195.

 

BRK identifica 565 casos
A BRK Ambiental, responsável pelos serviços de água e esgoto em Sumaré, realizou 5.152 vistorias no ano passado. “Com a identificação das 565 fraudes, a  companhia conseguiu recuperar 24,8 milhões de litros de água para o município. Quantidade suficiente para abastecer 1.774 imóveis por um mês”, afirmou Fernando Mangabeira, diretor da empresa em Sumaré.
Ele diz que os crimes são variados. Desde a ligação direta do ramal para o encanamento interno do imóvel (sem o devido registro de água pelo hidrômetro) a avarias no medidor com o uso de arames e imãs.
A partir da identificação da fraude, a concessionária lavra um termo de constatação de irregularidade e faz a regularização da ligação de água. Quando há avaria no hidrômetro, é cobrado o valor do serviço de instalação ou substituição do aparelho. A medida é prevista no contrato de concessão.
O telefone 0800-771 0001, da concessionária, também recebe denúncias.
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