terça-feira, 13 janeiro 2026
VIA CENTRAL DE REGULAÇÃO

Com dores diárias, jovem de Sumaré aguarda há cinco meses por cirurgia para remoção de pedras nos rins

Gabriela Soline deu à luz em agosto no Hospital Estadual de Sumaré em meio a crise renal e aguarda cirurgia desde então
Por
Vagner Salustiano
Vídeo com apelo foi postado nas redes sociais do marido, Willian Soline. Fotos: Reprodução/Redes Sociais

A jovem Gabriela dos Santos Soline, 24, de Sumaré, mãe de duas crianças pequenas (um bebê de 5 meses e outro de 1 ano e 8 meses), aguarda há cinco meses pela realização de uma cirurgia via SUS (Sistema Único de Saúde) para retirada de 14 pedras nos rins que lhe causam fortes dores diárias.

O pedido está desde agosto de 2025 nas mãos da Secretaria Estadual de Saúde.

Ela poderia ter feito a cirurgia no próprio HES (Hospital Estadual de Sumaré) no início de agosto, quando à luz seu filho mais novo em meio à crise nos rins. No entanto, naquela ocasião, o hospital informou à paciente que não tinha o material cirúrgico necessário para a intervenção.

Desde então, ela sofre com uma rotina diária de dores e atendimento médico paliativo em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) 24h de Sumaré, recebendo apenas medicação para dor, enquanto aguarda pela cirurgia.

Apelo em vídeo comove nas redes sociais
Gabriela relatou sua situação em um vídeo postado nas suas redes sociais. “Estou gravando esse vídeo porque eu preciso urgente de ajuda com meus rins. Eu já não estou mais aguentando de tanta dor. Eu tenho nove pedras no rim direito e cinco pedras no rim esquerdo, e eu estou com um (cateter) ‘duplo J’”, contou Gabriela.

As cólicas causadas pelos cálculos renais começaram no final da gravidez, quando ela procurou atendimento inicialmente na UPA 24h do Jardim Macarenko, de onde foi encaminhada para o HES.

“Faz tempo que eu vinha sofrendo com cólicas renais. No dia 31 de julho, comecei a sentir muita dor, vomitava, parecia uma contração — e eu estava grávida de 36 semanas. Foi na UPA do Macarenko, fizeram exames em mim e viram que eu estava com bastante sangue na urina por conta desses cálculos renais. Lá eles me encaminharam para o HES, onde eu fui atendida na Obstetrícia”, acrescentou a jovem.

A partir daí, ela permaneceu internada até o dia 11 de agosto no Estadual, onde deu à luz ao seu segundo filho através de uma cesariana, o tempo todo em crise renal.

“Me deram morfina, me deram Tramal e nada da dor passar. Tomei vários medicamentos, chorava, vomitava e até as enfermeiras do Hospital pensaram: ‘Como ela está sentindo tanta dor assim?’ E realmente eu estava. Parecia que eles estavam fazendo pouco caso de mim de tanto que eu estava chorando, de tanto que estava vomitando, preocupada com meu filho. Mesmo sentindo tanta dor, o Hospital não mandou nem um urologista para me atender. Meu marido teve que falar com a Ouvidoria, teve que falar com a assistente (social)”, lembrou.

Finalmente foi atendida por urologista
Finalmente, ela foi atendida por um médico urologista. “Eles conseguiram fazer com que o urologista descesse do sexto andar para me atender. Mas foram três dias sofrendo, três dias vomitando, chorando, tomando morfina e Tramal, tudo quanto é remédio, grávida. Nisso o urologista desceu, falou comigo e resolveram me levar para a sala de cirurgia para colocar o ‘duplo J’ no meu rim”, continuou Gabriela.

A colocação do cateter nos rins amenizou a dor, segundo Gabriela. Mas, neste ponto, a preocupação da família passou para o trabalho que parto do bebê. Anestesiada, ela não percebeu que sua bolsa havia estourado. A equipe médica também não teria notado.

“Eu fiquei dois dias e eles iam me liberar, mas a médica achou minha barriga bem baixa e pediu um ultrassom. Ai eles viram que a bolsa tinha estourado e induziram o parto. Ele nasceu (em 8 de agosto) graças a Deus bem”, falou a paciente no vídeo.

Hospital Estadual apontou “indisponibilidade de material cirúrgico” para a intervenção em agosto. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Mãe e filho receberam alta em agosto
Mãe e filho ainda permaneceram internados até o dia 11 de agosto, quando receberam alta e o encaminhamento para a cirurgia nos rins de Gabriela, que sequer agendada.

“Só que me deram alta apenas com um papel solicitando a cirurgia pelo núcleo, porque dizem que o Estadual não tem os equipamentos para fazer essa cirurgia, então eu teria que ser encaminhada para outro hospital, de outra cidade. E já vai fazer seis meses que eu estou esperando essa cirurgia, sentindo dor direto, com duas crianças pequenas em casa. Não consigo andar muito tempo, não consigo ficar com eles no colo porque começa a doer, pra colocar uma roupa dói. Esses dias todos venho sentindo muita dor”, resumiu a paciente.

Desde então, a vida de Gabriela tem sido uma peregrinação quase diária às unidades de saúde da Rede Municipal de Sumaré, onde ela é medicada e volta para casa para esperar pela próxima crise renal. E tudo isso cuidando de dois bebês, um deles recém-nascido.

Ela foi informada apenas que seu pedido de cirurgia está na “fila” do Sistema Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) do DRS (Departamento Regional de Saúde) 7, da região de Campinas.

“Falaram que meu caso está no Cross, no Estado, e não conseguiram minha cirurgia nem nada para me ajudar. E eu tenho sentido dor. Meu xixi tem saído com sangue. E eu venho pedir ajuda pra conseguir fazer essa cirurgia porque eu tenho dois nenéns para cuidar, meu marido trabalha e a dor está aumentando a cada dia. Eu já não sei o que fazer para conseguir essa cirurgia. E já vai fazer seis meses que estou esperando e sofrendo de dor. Me ajudem a fazer essa cirurgia”, finalizou Gabriela em seu apelo em vídeo.

Outro lado: Saúde do Estado responde
Questionada, a Secretaria de Saúde do Governo do Estado, responsável pelo Sistema Cross, prometeu um posicionamento sobre a marcação da cirurgia até esta quarta-feira (14).

O espaço permanece à disposição do órgão estadual.

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