Quinta, 30 Junho 2022

Coronavírus: Estado adota modelo 'home office'

Coronavírus: Estado adota modelo 'home office'

Cada vez mais comuns em empresas privadas, o home office foi adotado pelo Governo do Estado de São Paulo. A Sefaz (Secretaria da Fazenda e Planejament

Cada vez mais comuns em empresas privadas, o home office foi adotado pelo Governo do Estado de São Paulo. A Sefaz (Secretaria da Fazenda e Planejamento) tornou-se pioneira, implantando o modelo desde novembro de 2017. A medida vem ganhando força nas diversas áreas do órgão, afirma o Estado. 

Apesar disso, na região nenhuma das prefeituras (Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d'Oeste e Sumaré) aderiu ou pretende aderir de momento ao trabalho home office para servidores, conforme informado à reportagem pelas assessorias. 

A intenção do governo do Estado é "proporcionar benefícios à Secretaria e aos servidores, aliando flexibilidade na jornada de trabalho ao aumento da produtividade, qualidade de vida dos colaboradores, além de redução de custos fixos da máquina pública, como manutenção do escritório (energia elétrica e água) e transporte". 

Demetrius Barros, diretor do Departamento de Gestão Estratégica e de Projetos da Sefaz, cita impacto no trabalho de servidores home office. "É uma inovação, que busca e tem maior produtividade e qualidade aos serviços prestados." 

O diretor observou que, após a adoção do modelo, os servidores sentiram-se motivados e reconhecidos quando selecionados para participar. "Os gestores têm informações e controles que possibilitam melhor gestão das demandas e pessoas", disse. 

O projeto, que teve início com 12 unidades, sendo 260 servidores envolvidos no programa e 69 teletrabalhistas, registrou, até o segundo semestre de 2019, um aumento das unidades que aderiram ao programa, com 94 áreas, cerca de 22% das unidades da Sefaz. São 884 servidores envolvidos, 343 deles teletrabalhistas. 

A expansão dessa modalidade nas mais diversas áreas da secretaria que aderiram ao programa é de um limite progressivo de 30% a 50% dos servidores da unidade em teletrabalho, atingindo as metas de desempenho programadas. 

Qualquer área pode aderir ao modelo, adequando o número de dias por semana conforme as atividades e necessidades. Existem limitações estabelecidas, para implantação e amadurecimento do modelo, que são periodicamente revistas. 

Aderiram ao modelo áreas que executam atividades de forma processual, com rotinas bem definidas, como as unidades do Tribunal de Impostos e Taxas e as responsáveis pelos processos judiciais do Departamento de Despesa de Pessoal. 


MAIS FOCO 

Elina Ikumi Asato, 37, analista em planejamento e orçamento em finanças públicas da Sefaz desde 2014, começou a trabalhar em home office em fevereiro de 2019. Para a analista, de São Paulo, em casa ela ganha mais foco e mais tempo. 

"Não me prejudica. Eu consigo focar muito mais, rende mais em casa. Minha sensação é que vejo muito mais resultado." O tempo é outro aliado. "Eu ganho o tempo de locomoção. O que gastava para ir e voltar eu aproveito de outra forma. Comecei a fazer academia. Você concilia o tempo de uma forma mais tranquila." 

Além disso, Elina cita a vantagem de almoçar em casa. "Economiza e sabe o que está comendo." Também pode resolver problemas, como no caso dela, em que há flexibilidade. "Se eu precisar resolver algo terei uma tranquilidade muito maior e depois volto e fico até mais tarde. Esses dias fiz uma feira de semana no intervalo." 

A analista diz que sente falta apenas de companhia. "Sinto só um pouco de falta de ter alguém com quem me comunicar." 


PRÓS E CONTRAS 

A psicóloga Eline Rasera falou com a reportagem sobre os prós e contras do trabalho home office e os cuidados necessários. Para ela, as vantagens existem desde que a pessoa entenda o ambiente de trabalho em casa como um lugar tranquilo. 

"Aí podemos então afirmar que contribui para despertar criatividade e menor stress", explica. Rasera aponta que a possibilidade de "liberdade" dos horários e tarefas oferece mais satisfação durante as atividades. 

Sobre as desvantagens ela cita a falta de contato humano, que contribui para melhorias, além de acrescentar na qualidade do trabalho. "Somos seres sociais, gostamos e necessitamos de grupos e pessoas. Muito tempo com eletrônicos e menor interação social podem limitar trocas afetivas essenciais para a saúde mental", afirma. 



[caption id="attachment_36764" align="aligncenter" width="1024"] ANÁLISE | A psicóloga Eline Rasera chama a atenção para a necessidade de disciplina

A psicóloga lista a disciplina como primeiro cuidado. "A pessoa não pode fazer coisas particulares no meio da atividade profissional. Perde-se o foco". A outra é a procrastinação. "Sem a pressão do ambiente de trabalho e dos líderes presentes, é comum o 'depois eu faço'. É importante eliminar distrações, TV, internet." 

Outro perigo que ela aponta é a solidão, que pode causar distanciamento da realidade e depressão. "Pode parecer confortável, uma vez que relacionamentos 'dão trabalho', mas são necessários. Nos desafiam a crescer e a nos tornarmos melhores. Sem contar com o auxílio físico nos momentos de angústia", avalia. 

Rasera vê com bons olhos o home office, desde que "dosado na medida de necessidade e escolha do profissional". As partes devem estar de acordo com a atividade que será realizada, o tempo e a maneira do acompanhamento pelo líder, "que deverá estar acessível para dúvidas e novas informações", finaliza. 


COWORKING TAMBÉM É ALTERNATIVA  

O home office é novo no Brasil, mas nas grandes cidades é comum espaços de coworking, espaço para quem precisa trabalhar. Americana tem pelo menos três. Um deles é o DeskShare Coworking, no Jardim Girassol. O local abriu em julho. 

Eliane Biasi, funcionária do DeskShare, conta como funciona o espaço. "Temos estações com mesas, sala de treinamento, se alguém quiser ministrar um curso, sala de reuniões, com TV, uma copa com geladeira para quem quiser trazer comida, café e ar-condicionado", afirma. 

Tudo é cobrado por hora, mas é possível fechar pacote mensal. Conforme mais horas são reservadas, mais o preço cai. "É um mercado novo, Americana está começando." 

Pagam pelo espaço advogados, arquitetos, executivos, recém-formados, dentre outros. "É para as pessoas que precisam trabalhar em um ambiente melhor, mais confortável." Eliane revela que uma arquiteta de Americana é o exemplo perfeito de um home office que não estava dando certo em casa e funcionou lá. 

"Uma arquiteta que trabalha sempre aqui comentou que em casa ela se envolve com o ambiente familiar e o trabalho não rende. Tem gente que fala que em casa tem filhos, ou algo que rouba a atenção."  

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