segunda-feira, 22 julho 2024

Coronavírus mata oitavo idoso que vivia em asilo de Piracicaba

A cidade de Piracicaba, que fica no interior de São Paulo, registrou nesta sexta-feira (1) a 11ª morte em decorrência da Covid-19, a oitava envolvendo um idoso residente num asilo da cidade no intervalo de nove dias. A vítima, que é uma mulher de 76 anos, morava no Lar Betel, que vive um surto da doença e já teve 34 casos confirmados do novo coronavírus em idosos, além de 25 funcionários.

Os casos relatados no local mostram que a doença se espalhou no asilo, já que, na quarta-feira (29), eram 28 os idosos com confirmação da Covid-19, além de 13 funcionários. Em dois dias, os casos dentro da instituição passaram de 41 para 59. Seis idosos estão internados com sintomas da doença.

A primeira morte no Betel ocorreu no dia 23 e, desde então, foram outras sete nos oito dias seguintes, o que fez com que o Ministério Público Estadual abrisse investigação sobre as medidas que estão sendo tomadas para conter a propagação do vírus no local.

O Lar Betel existe há 67 anos e, nesta sexta, abrigava 74 idosos. Oito deles estão em isolamento na instituição e outro fez o teste e aguarda o resultado. Em outros 38 idosos que foram testados os exames deram negativo. Entre os 77 funcionários, 9 estão afastados com sintoma da doença e 38 tiveram resultado negativo. Piracicaba chegou a esta sexta-feira com 132 casos confirmados da Covid-19, 14 deles registrados num intervalo de 24 horas.

Segundo o promotor Luiz Sérgio Catani, que abriu procedimento para apurar o caso, medidas de contenção foram tomadas pela instituição, que criou uma ala de isolamento e restringiu visitas há mais de um mês. A Prefeitura de Piracicaba enviou uma equipe para auxiliar nos trabalhos do lar, por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem, que atuarão com a equipe já existente no asilo.

Diretor-presidente do Betel, Luiz Adalberto dos Santos afirmou que a instituição nunca teve registro sequer de problemas ocasionados a partir da alimentação de idosos e que tem trabalhado para debelar o surto no local.

“Tem sido um desafio de Golias, uma luta terrível aqui”, afirmou. Ele disse que, apesar das restrições impostas já há mais de um mês, funcionários diariamente faziam o deslocamento entre o trabalho e suas casas, o que pode ter feito com que o vírus atingisse o asilo.

“A renda da instituição caiu e os gastos triplicaram. [Além dos idosos] Perdemos funcionários com afastamentos e estamos passando muitas dificuldades. O grande problema nosso é justamente mão de obra. Precisamos contratar mais pessoas em enfermagem, mas há pessoas que não querem ir trabalhar”, afirmou. Um bazar de móveis, eletrodomésticos e utensílios feitos pela entidade, e que representava 25% de sua renda mensal, deixou de ser realizado com as medidas de restrição à circulação de pessoas.

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