terça-feira, 11 agosto 2026
AGOSTO LILÁS

Atletas de Cosmópolis conquistam 11 medalhas em competição estadual e mostram força no Kung Fu

Em mês de conscientização contra a violência feminina, atletas se destacam em torneio realizado em São Paulo
Por
Thayla Nogueira
A maioria dos competidores da equipe era formada por meninas. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Atletas do CT Dragão Chinês, de Cosmópolis, participaram no último fim de semana do Torneio do Dragão Kung Fu, realizado na capital paulista, e ajudaram a equipe a conquistar 11 medalhas: oito de ouro e três de prata.

A maioria dos competidores da equipe era formada por meninas. Em um mês marcado pelo Agosto Lilás, campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, a participação feminina ganhou um significado especial. “Teve cinco atletas meninas competindo também. Teve um menino, mas a maioria foi menina. Então foi uma energia bem gostosa, girl power, a gente representando o empoderamento feminino”, contou Janaína Aguiar, atleta e instrutora de Kung Fu.

Coragem para subir no ringue
Entre as atletas estava Alexandra Aparecida Dragone Bonfim, de 12 anos. Com experiência em outras competições e medalhas de ouro e prata no currículo, ela voltou a representar Cosmópolis e já pensa em seguir carreira no esporte. “Pra mim trouxe dedicação, força e outras coisas entre si. […] Se tornar uma lutadora profissional também”, afirmou.

Para Tainá Lorraine da Silva Figueiredo, a competição teve um significado ainda maior: era a primeira vez que ela disputava um torneio na modalidade. O nervosismo apareceu antes da luta. Ela chegou a passar mal por causa da ansiedade, mas conseguiu superar o momento e conquistou a medalha de ouro. “Quando eu vi que eu ganhei a medalha de ouro, nossa, maior felicidade da minha vida. Minha vontade era chorar, sair comemorando”, contou.

Eloá Beatriz Vidal Duarte, que já tinha experiência em competições, também destacou a força necessária para enfrentar o desafio. “Lutar é ser uma pessoa forte, porque até de subir no ringue você é uma pessoa forte. Pra subir no ringue você já é uma vencedora”, afirmou.

Esporte como ferramenta de confiança
Além da competição, as atletas destacam outro aprendizado proporcionado pelas artes marciais: a defesa pessoal. Ingrid Capuano conquistou duas medalhas de ouro nas categorias de formas e uma prata no Sanda, em sua primeira experiência em uma competição de luta. Para ela, aprender a se defender é importante especialmente para as mulheres. “A gente vive numa sociedade muito machista e, além da autodefesa, é muito importante que a gente saiba, principalmente pra nós, pra gente se sentir seguro”, disse.

Janaína também reforça que a defesa pessoal faz parte da rotina de treinamento. “Eu sempre falo pra elas assim: é melhor saber e não precisar do que precisar e não saber. Então a gente tem que aprender a se defender.” A preparação para o torneio foi intensa. Segundo Janaína, as atletas treinaram durante a semana e também aos sábados, com exercícios de força, resistência e condicionamento físico. “Elas treinaram todos os dias. […] Então elas se prepararam bem, foram bem disciplinadas. […] Elas deram o melhor de si e mostraram tudo que fizeram no treino”, relatou.

Medalhas e novas experiências
A própria Janaína também competiu e conquistou o primeiro lugar na categoria de leque, modalidade de formas que combina movimentos técnicos em uma apresentação. “Eu fiz a competição do leque, que é outras formas, que é como se fosse uma coreografia de luta, e fui campeã”, contou.

Natalie Vitória Brante da Silva conquistou uma medalha de prata em sua primeira competição. Milene Moura Pereira da Silva também estreou em um torneio e ficou com o segundo lugar. “Foi uma experiência muito boa. […] É uma adrenalina muito grande, o coração ali acelerado. […] Eu confesso que eu já quero ir de novo”, contou Milene.

Para o mestre Vanildo Ribeiro, responsável pela equipe, a presença feminina nas artes marciais tem crescido e representa uma mudança importante. “Tem dia que eu venho aqui, eu fico surpreso na academia: chega aqui tem trinta, quarenta meninas, dez homens só. Então tem mais mulher treinando comigo do que homem mesmo”, afirmou.

Elas ocupam espaço
Nicolas Garcia também representou a equipe e conquistou duas medalhas de ouro. Mas, desta vez, o protagonismo é delas. São meninas que enfrentaram o nervosismo, subiram no ringue, conquistaram medalhas e, principalmente, ganharam confiança para continuar. “Foi muito legal a experiência que elas tiveram. […] É um incentivo pra todas as meninas que queiram participar também”, resumiu Janaína.

No tatame, elas aprenderam golpes, técnicas e disciplina. Fora dele, levam uma mensagem que combina diretamente com o Agosto Lilás: conhecer a própria força também é uma forma de construir autonomia.

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