sexta-feira, 25 setembro 2026
AGOSTO LILÁS

Atletas de Cosmópolis conquistam 11 medalhas em competição estadual e mostram força no Kung Fu

Em mês de conscientização contra a violência feminina, atletas se destacam em torneio realizado em São Paulo
Por
Thayla Nogueira

Atletas do CT Dragão Chinês, de Cosmópolis, participaram no último fim de semana do Torneio do Dragão Kung Fu, realizado na capital paulista, e ajudaram a equipe a conquistar 11 medalhas: oito de ouro e três de prata.

A maioria dos competidores da equipe era formada por meninas. Em um mês marcado pelo Agosto Lilás, campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, a participação feminina ganhou um significado especial. “Teve cinco atletas meninas competindo também. Teve um menino, mas a maioria foi menina. Então foi uma energia bem gostosa, girl power, a gente representando o empoderamento feminino”, contou Janaína Aguiar, atleta e instrutora de Kung Fu.

A maioria dos competidores da equipe era formada por meninas. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Coragem para subir no ringue
Entre as atletas estava Alexandra Aparecida Dragone Bonfim, de 12 anos. Com experiência em outras competições e medalhas de ouro e prata no currículo, ela voltou a representar Cosmópolis e já pensa em seguir carreira no esporte. “Pra mim trouxe dedicação, força e outras coisas entre si. […] Se tornar uma lutadora profissional também”, afirmou.

Para Tainá Lorraine da Silva Figueiredo, a competição teve um significado ainda maior: era a primeira vez que ela disputava um torneio na modalidade. O nervosismo apareceu antes da luta. Ela chegou a passar mal por causa da ansiedade, mas conseguiu superar o momento e conquistou a medalha de ouro. “Quando eu vi que eu ganhei a medalha de ouro, nossa, maior felicidade da minha vida. Minha vontade era chorar, sair comemorando”, contou.

Eloá Beatriz Vidal Duarte, que já tinha experiência em competições, também destacou a força necessária para enfrentar o desafio. “Lutar é ser uma pessoa forte, porque até de subir no ringue você é uma pessoa forte. Pra subir no ringue você já é uma vencedora”, afirmou.

Esporte como ferramenta de confiança
Além da competição, as atletas destacam outro aprendizado proporcionado pelas artes marciais: a defesa pessoal. Ingrid Capuano conquistou duas medalhas de ouro nas categorias de formas e uma prata no Sanda, em sua primeira experiência em uma competição de luta. Para ela, aprender a se defender é importante especialmente para as mulheres. “A gente vive numa sociedade muito machista e, além da autodefesa, é muito importante que a gente saiba, principalmente pra nós, pra gente se sentir seguro”, disse.

Janaína também reforça que a defesa pessoal faz parte da rotina de treinamento. “Eu sempre falo pra elas assim: é melhor saber e não precisar do que precisar e não saber. Então a gente tem que aprender a se defender.” A preparação para o torneio foi intensa. Segundo Janaína, as atletas treinaram durante a semana e também aos sábados, com exercícios de força, resistência e condicionamento físico. “Elas treinaram todos os dias. […] Então elas se prepararam bem, foram bem disciplinadas. […] Elas deram o melhor de si e mostraram tudo que fizeram no treino”, relatou.

Medalhas e novas experiências
A própria Janaína também competiu e conquistou o primeiro lugar na categoria de leque, modalidade de formas que combina movimentos técnicos em uma apresentação. “Eu fiz a competição do leque, que é outras formas, que é como se fosse uma coreografia de luta, e fui campeã”, contou.

Natalie Vitória Brante da Silva conquistou uma medalha de prata em sua primeira competição. Milene Moura Pereira da Silva também estreou em um torneio e ficou com o segundo lugar. “Foi uma experiência muito boa. […] É uma adrenalina muito grande, o coração ali acelerado. […] Eu confesso que eu já quero ir de novo”, contou Milene.

Para o mestre Vanildo Ribeiro, responsável pela equipe, a presença feminina nas artes marciais tem crescido e representa uma mudança importante. “Tem dia que eu venho aqui, eu fico surpreso na academia: chega aqui tem trinta, quarenta meninas, dez homens só. Então tem mais mulher treinando comigo do que homem mesmo”, afirmou.

Elas ocupam espaço
Nicolas Garcia também representou a equipe e conquistou duas medalhas de ouro. Mas, desta vez, o protagonismo é delas. São meninas que enfrentaram o nervosismo, subiram no ringue, conquistaram medalhas e, principalmente, ganharam confiança para continuar. “Foi muito legal a experiência que elas tiveram. […] É um incentivo pra todas as meninas que queiram participar também”, resumiu Janaína.

No tatame, elas aprenderam golpes, técnicas e disciplina. Fora dele, levam uma mensagem que combina diretamente com o Agosto Lilás: conhecer a própria força também é uma forma de construir autonomia.

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