Espetáculo “Contracanto” lota auditório e amplia debate sobre arte drag em Cosmópolis
Apresentação final reúne público e destaca diversidade, incluindo a presença de mulheres no universo drag
A terceira e última apresentação do espetáculo “Contracanto”, realizada no sábado (25), no Auditório Paulo Freire, em Cosmópolis, foi marcada por casa cheia e forte envolvimento do público.
A diretora Heloísa Barroso destacou a recepção positiva. “A gente se surpreendeu muito… casa lotada nos três dias”, afirmou.
Arte que revela histórias e identidades
A montagem utiliza o universo drag como fio condutor para discutir identidade, pertencimento e resistência. O texto, assinado por Matheus Risonho, nasce de experiências pessoais e construção coletiva. “A palavra era verdade… trazer humanização”, explicou o ator e roteirista.
Mulheres também podem ser drag
Um dos pontos que mais chamou atenção na apresentação foi a quebra de um estereótipo ainda pouco conhecido: a presença de mulheres como artistas drag.
A atriz Bia Flores destacou esse aspecto ao construir sua personagem.
“Mulheres drags são mais comuns do que a gente imagina… é uma forma de sair da caixinha”, disse.
Na peça, sua personagem representa uma mulher que encontra na arte um caminho de reconstrução emocional e afirmação.
Representatividade que gera identificação
A proposta do espetáculo vai além da estética e busca criar conexão com o público por meio de histórias reais e sensíveis. “Todo mundo que faz arte é sobre se salvar”, completou Bia.
Para a drag performista Helô Summer, a montagem cumpre um papel importante.
“Leva mensagem, acolhimento… a arte drag está atingindo cada vez mais pessoas.”
Interior também abre espaço
Levar o tema para uma cidade do interior foi um desafio para o grupo, mas o resultado foi positivo. “Existem mais pessoas que apoiam do que pessoas que pregam contra”, afirmou Matheus Risonho.
Cultura local em fortalecimento
Produzido por artistas de Cosmópolis, o espetáculo reforça a importância do incentivo à cultura local e da formação de público. “A gente está engatinhando, mas resistindo”, avaliou a diretora.
O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio do Ministério da Cultura e da Prefeitura de Cosmópolis.
Sem oferecer respostas prontas, “Contracanto” convida o público a refletir sobre identidade e existência, deixando uma pergunta central: o que permanece quando a maquiagem sai?
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