
Cosmópolis ganhou novas cores, histórias e significados com a realização do projeto cultural “O Samba é Nosso”, que transformou diferentes pontos da cidade em uma galeria a céu aberto. A iniciativa une grafite e samba para valorizar a cultura negra, promover o pertencimento e ressignificar espaços urbanos.
Idealizado pelo artista Samuel Maciel, conhecido como Cafu, o projeto surgiu de uma trajetória iniciada ainda na infância. “Foi em dois mil e cinco, eu era criança, tinha nove anos. Um amigo trouxe uma revista de desenho em parede e aquilo me pirou”, relembra. “Hoje, pra mim, é uma forma de viver e de me expressar.”
Murais contam a história do samba
Ao todo, cinco murais foram produzidos em regiões periféricas e de grande circulação de Cosmópolis. Cada obra representa um período da história do samba e dialoga com elementos históricos, culturais e simbólicos dessa manifestação, conectando passado, presente e futuro.
“Cada mural remete a um período do samba. Tem desde as origens até o momento mais popular e também o futuro”, explica Samuel.
Projeto teve oficinas com estudantes
Além da proposta estética, o projeto também teve caráter social com a realização de oficinas com estudantes da Escola Estadual Professor Alberto Fierz. A atividade buscou incentivar a participação direta da comunidade no processo artístico.
“Teve oficina com alunos, mais de vinte participaram. Foi um encontro muito forte com a comunidade”, destaca o idealizador.
Segundo Samuel, a arte tem papel importante no desenvolvimento humano. “Eu acho que não só ajuda como salva. É terapêutico, melhora a comunicação e traz mais conexão com as emoções.”
Samba amplia identificação do público
A escolha do samba como tema central do projeto, segundo a produtora Ana Beatriz Pereira, teve como objetivo ampliar o alcance da mensagem. “A gente pensou em algo mais universal. O samba já ganhou o mundo, então mais pessoas se identificam”, afirma.
Ela também destaca que a iniciativa contribuiu para mudar a percepção de parte da população sobre o grafite. “Quem antes associava a algo negativo passou a enxergar beleza e significado”, completa.

Arte muda relação com a cidade
De acordo com a produção, os murais passaram a transformar a relação da população com os espaços públicos. Locais antes pouco observados passaram a atrair registros, olhares e interação de moradores. “As pessoas paravam, tiravam foto, conversavam com a gente. Isso mostra que a arte cria conexão”, diz Ana Beatriz.
Mais do que intervenções visuais, o projeto buscou construir uma mensagem de resistência e identidade. “A gente quis criar um diálogo entre grafite e samba, mostrando que são artes periféricas que podem ocupar a cidade e serem valorizadas”, explica.
Investimento na cultura local
Realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, “O Samba é Nosso” reforça a importância do investimento público na produção cultural local. Ao integrar diferentes linguagens artísticas, o projeto amplia o reconhecimento da cultura negra no espaço urbano e fortalece processos de pertencimento em Cosmópolis.
“O grafite é uma forma de colorir o mundo, de transmitir vida. Quem passa sempre sente alguma coisa”, resume Samuel.





