A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta quarta-feira (18) de encontro de lideranças sociais em Hortolândia, onde defendeu o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e ações contra a violência de gênero.
Ela sugeriu que Hortolândia e municípios vizinhos criem, de forma consorciada, uma unidade da Casa da Mulher Brasileira, centro integrado com delegacia, defensoria, juizado, apoio psicossocial e abrigamento temporário.

“Tudo que nós queremos é exatamente isso, que o município de Hortolândia, que representa também uma referência na região, pode se associar a outros municípios para, por exemplo, discutirmos num consórcio a possibilidade da implantação da Casa da Mulher Brasileira, com um serviço integrado, um serviço importante para acolher as mulheres vítimas de violência. É uma cidade de quase 250 mil habitantes, mais de 50% são mulheres, são quase 130 mil mulheres. As perguntas que se tem que fazer é: onde as mulheres estão? Como elas vivem? Como elas se sentem? Que liberdades elas têm? Que tipo de acesso às políticas públicas elas têm na saúde, na educação, na moradia, na assistência social? Eu vi que tem sete CRAS. É um número importante para um município desse tamanho. E eu tenho certeza que esse diálogo e esse debate com a população, ouvindo as mulheres, escutando os parlamentares e abrindo esse diálogo com o sistema de Justiça”, afirmou a ministra.
Prefeito vê viabilidade regional
O prefeito Zezé Gomes (Republicanos) admitiu a possibilidade. “É possível sim (a viabilização de uma unidade da Casa da Mulher Brasileira regional). Hortolândia já vem reivindicando isso há tempos. E eu acredito muito na conquista de tudo isso. Mas nós aqui em Hortolândia estamos fazendo uma barreira de proteção, e com certeza nós vamos defender as nossas mulheres de todas as formas. Nós temos aqui políticas públicas voltadas para isso”.
Pacto integra três poderes
Lançado em fevereiro pelo Governo Federal em articulação com Congresso e Judiciário, o Pacto busca fortalecer políticas contra a violência. Márcia Lopes destacou estratégias para ampliar redes de proteção, prevenção, cumprimento de medidas protetivas e responsabilização de agressores.
“O Pacto Brasil contra o Feminicídio integra esses três poderes, Legislativo, Judiciário e Executivo. E se isso funcionar bem, eu não tenho dúvidas de que os resultados serão outros. O que nós não podemos admitir é nenhum tipo de violência contra as mulheres. Não queremos feminicídio, que é o fim da linha, mas também não queremos ofensas, não queremos machismo, não queremos misoginia, não queremos nenhum tapa, nenhum empurrão, não queremos violência política de gênero. Nós queremos paridade entre mulheres e homens em todos os espaços de poder. Nós não queremos violência digital. E aí a mídia tem um papel fundamental: não reproduzir matérias, não reproduzir programas que incentivem a misoginia, que a gente vê sair inclusive da boca de jovens”, disse.

Casos recentes chocam região
Hortolândia registrou três feminicídios em 2025 e um neste ano, o de Julyene dos Santos, de 26 anos, no sábado (14). São Paulo teve aumento de 96,4% nos casos em 2025, com 270 vítimas contra 136 em 2021. O Brasil registrou recorde de 1.568 feminicídios no ano passado.
Madalena Santos, presidente do Conselho Municipal da Mulher de Hortolândia, defendeu educação contra machismo. “Infelizmente o Brasil atravessa um período cruel, que é matar as mulheres simplesmente por serem mulheres. Educação. Educação nas escolas, desde crianças as pessoas ficarem cientes que nós, mulheres, somos a metade da população- e a outra metade são os nossos filhos. O respeito com as mulheres. A partir do momento que tiver respeito, que tiver educação e, claro, esse estágio de machismo e misoginia terminar, com certeza a gente vai conseguir eliminar a violência contra as mulheres. Mas a gente sabe que para que isso aconteça a gente vai ter que lutar – e lutar muito”.
Agenda segue na região
Márcia Lopes participou de reunião na Câmara de Piracicaba pela manhã e seguiu para Campinas à tarde, com debate na Câmara e plenária com lideranças.





